Prefácio

PREFÁCIO

Sempre achei que os prefácios não devem ser longos, pois o Leitor está sobretudo interessado no conteúdo da obra e não própriamente nesta espécie de introdução. Pelo que, este, será necessariamente curto.
Gosto muito da escrita do Ernesto, límpida, rítmica e de grande amplitude linguística. Aprecio a sua mordacidade absolutamente assassina e encantam-me os valores morais que nas entrelinhas se adivinham.
Tudo fiz para o convencer a publicar e sinto-me honrada por aceitar o meu prefácio.
O Sindicalismo é no meu entender, uma causa nobre, à qual, aliás, dediquei dez anos da minha vida, sete dos quais, praticamente, em exclusividade.
É um Mundo que a maior parte das pessoas não compreende, pois pensam sempre que os sindicalista deixam de trabalhar no “métier” que era o seu e “não fazem nenhum”.
Na verdade, um sindicalista que se preze, trabalha “que nem uma besta”, por uma causa que é sua, mas é também dos que representa. Tem que lutar no terreno, com o Patronato, muitas vezes com representantes do Governo, tem que convencer os seus a fazer greve se o achar necessário e a suspendê-la, se houver motivo para isso. A organização de uma greve, só por si, significa igual número de dias sem dormir, sempre a trabalhar. Tem que saber negociar, há cursos para isso. Um sindicalista tem que ser um líder, não só para os que directamente com ele trabalham, mas também para todos os que representa. Se tiver uma semana de férias por ano, pode dar-se por satisfeito.

O Sindicalismo em Portugal está “pelas ruas da amargura” se compararmos os números de sindicalizados, cerca de 37% em Portugal, com os números dos Países Nórdicos, cerca de 80%.
Mas, enfim, é o país que temos.
Dir-me-ão, então, porque prefaciar uma Colectânia de Crónicas cujos personagens são sindicalistas e na sua pior versão.
Tenho a dizer que, pelo facto de continuar sindicalista de alma e coração, se bem que já não praticante, entendo que todas as actividades humanas, mesmo as Institucionais, devem ser dessacralizadas. Porquê?
Porque ao dessacralizá-las ficamos mais próximo das pessoas.
E, o Sindicalismo precisa da força coesa de muita gente.
E depois, os Sindicatos são constituídos por pessoas, havendo do melhor e do pior, tanto nos seus Corpos Gerentes, como na Massa Associativa.
E ainda, porque tenho a firme convicção de que nos magníficos Poemas que compõem esta Colectânea de Ernesto Ribeiro, qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência.

Cristina Vigon

Costa da Caparica, 15 de Setembro de 2013-09-15

Prefácio (não publicado) ao Livro “Poesia Sindicante”, publicado pela Corpos Editora

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