Lavar de mãos

Caro Rui,
É est’a justiça que temos,
Aquela que merecemos,
A que se nos intui!

Foste nisto agarrado
P’la “justiça” mais célere,
Aquela que te faz no cárcere
“Indiciado”…

Por tentativa,
Note-se só!
E haja dó
Da tua vida…

Outros, corruptos,
Andam à solta…
Pois, falta-t’a nota
Que lhes dá “indultos”!

Meteste-te c’o poder
Que tudo pode,
E se puderes foge
Do seu “saber”,

Do seu formalismo
Que solta assassinos,
E não acus’os paladinos
Do benfiquismo!?

Deles é o país,
Tomaram-no “democraticamente”,
Eles são esta imensa gente
Que fazem do Rangel juiz…

Eles decidem em “causa própria”
Os seus casos de corrupção,
E a ti, dão-te a acusação
Mais utópica!?

Por extorsão,
Ou por mera tentativa,
Por violares a expectativa
Duma segura reeleição!?

Deixaste o país a nu
C’as tuas denúncias,
E agora não há senão pronúncias
Onde não estejas tu!?

Cometeste o pior dos pecados:
Revelaste tão só a verdade!?
Este é o país da saudade
E dos votos comungados!

A expressão da hipocrisia,
Do cinismo mais premente,
E atacaste eloquentemente
A sua maior apostasia…

Esta virgem redentora
Que fez dum clube o seu ideal,
E qu’é maior que Portugal
A tod’a hora….

E que por ele tudo vale
Pr’a se vencer e festejar,
E ai de quem o apoucar
E que não s’o cale!?

Que já conta com prisão
Preventiva e efectiva,
E uma decisão colectiva
Sem recurso ou apelação!!?

E se for ainda urgente
Uma alteração constitucional,
Morres pendurado num estendal
Por auto de delinquente…

Fazendo-se prévia procissão
Com passagem p’lo Marquês,
Abençoando-se, de viés,
Toda esta Inquisição!

E se não se doutrinar
O preso na sua hora,
Morre ali na fogueira
Pr’a s’o purificar…

Pois é, Rui Pinto,
Meteste-te c’a “nobreza de toga”,
Portugal é a sua obra,
Este triste mito!

Esta nação de “valentes”
E “imortais”,
Que vendem papel por jornais
Aos restantes “inteligentes”!

E onde s’anuncia a propaganda
Do insidioso centralismo,
Porque Portugal é um eufemismo
Pr’a quem nele demanda!

E agora, és tu, Rui,
Que serves de bode expiatório,
Pois neste rol acusatório
Já tudo se conclui…

E tod’o nexo se liga
Com magnificência e precisão,
E qualquer juiz elev’a acusação
A uma obra de Giga!?

Já não há reparos processuais
À polícia e aos magistrados,
E já se denotam culpados,
Mas por quebra de ideais…

Coragem, Rui!

Joker

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Posted on 20 de Setembro de 2019, in Palhaçadas. Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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