Xana…

Caro Luís,
Não há palavras escritas,
Por mais bem faladas ou ditas
Em qu’o amor se quis,

Que nisso retratem a dor
P’la perda dum filho,
A negação de tod’o trilho
Num grito incontido de clamor!!!

Uma inversão
De tod’a trajectória,
Um resgatar de tod’a memória
Num gesto de maldição!!!

Renegar a existência
E a sua lógica insondável,
Perder o espaço móvel
De qualquer referência…

E largar a vontade
De continuar a existir,
E viver por viver
Por mera continuidade…

E cruzar a vontade
A uma réstia de vida,
Numa morte vivida
Em plena arbitrariedade…!!!

E esperar p’la hora
Desse reencontro,
Qu’um filho nunca está morto
Durant’a espera…

E conter essa dor
Numa vida sem sentido,
Vivendo num constante gemido
D’amor…

E ter o fito, o desejo
De se morrer pr’a se viver,
E ter o ensejo d’a abraçar
Num singelo beijo…

Caro Luís,
Não conceb’a dimensão de tal dor;
Não há palavras dum tal teor
Tão infeliz…

Ninguém concebe em tal expressão
A condição dum pai,
Nesse momento em que tudo s’esvai
Em significação,

E a própria vida terrena
Perde tod’a singularidade,
E só nos rest’a liberdade
No fim da pena…

Joker

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Posted on 30 de Agosto de 2019, in Palhaçadas. Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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