Acasos…

Ontem passei por um corrupto
E apertei-lh’a mão,
Foi engano, e, na encenação,
Trocámos um olhar curto…

O corrupto aprestava-se erecto,
Ainda que comprometido,
Fingia-se num tal dever cumprido,
Que quem o visse tão “correcto”,

Não imaginaria
Qu’a li estivesse um desenfreado,
Um “homem” sem honra e denunciado
Na sua própria alegoria…

Ensimesmado,
Tão pronto ao “dever”,
Que nisso me fiz crer
Que de tão bem “fardado”,

Ali estava um camarada
Com quem cruzava um cumprimento,
Mas nesse preciso momento…
Nada!?

Apenas repulsa,
Por me saber em tal “confronto”,
E ali, de pronto,
A imagem da nossa escusa!!

Dos nosso sonegados direitos,
Da nossa subalternização,
Tudo por seu quinhão
E dos seus grandes “feitos”…

Gente recompensada
Pelos seus grandes préstimos,
E nisso ainda ostentam os décimos
Da nossa derrocada…

Gente sem ética e dignidade
Qu’agora se sentem melindrados,
Só por terem sido “desvendados”
Na sua “clandestinidade”!!

Não qu’os assole a culpa,
Mas tão só o ressentimento,
Qu’a eles devemos o “aumento”
E esta famosa cúpula!

Cruzei-me c’um corrupto,
Quiçá o maior na sua elite,
E desde ontem qu’esta “colite”
M’expeliu um poema em bruto!!

Quanta repulsa
Ao cruzar um tal aperto de mão,
E ficar nesta duradoura sensação
Reclusa…

De podre paz,
Da proliferação da canalhice,
D’ali vingar a chico-espertice
De quem “tudo” faz…

E nisto entrega
Os direitos alheios,
Porqu’os deles se querem cheios
Na ausência da regra!

É só escolher,
O dinheiro ou o “dia santo”,
E tudo se faz por “encanto”
No que lhes couber!?

E os outros, bestas
Cumpridoras,
Têm datas “promissoras”…
Mas não as festas!?

Só ving’o corrupto
No seio de tal cultura,
E bom futuro se lh’augura
Sempre qu’é proíbid’o fruto!?

Quand’a necessidade impera
E não há “com que se pagar”,
Vai-se-os lá buscar
Porque eles estão à espera!!

E nisto vendidos
Por lata ou latão,
Dá-se-lhes a salvação
Dos “arrependidos”…

Ontem, pois, lá apertei a mão
A um corrupto,
Fi-lo por absorto,
Não por claudicação!

Fi-lo por lapso
E por premissa,
Mas não distraído numa razão omissa
Ou por cansaço!

Ainda estou crente
Nesse grande plano de justeza,
E ver um corrupto, em tal “pureza”,
Estar inocente!?

Joker

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Posted on 23 de Agosto de 2019, in Palhaçadas. Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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