Liberdade!!

Dizem que estamos mortos,
Que já não nos levantamos,
E que nos tornámos
Tristes vencidos e absortos…

Dizem os corruptos,
Qu’agora é tudo deles,
Que nos vencem, os reles,
Apenas com passes curtos..

E que na próxima jornada
Já nos dão pois cinco,
E dizem-no com tal afinco
De verdade afirmada,

Que só nos resta vencer
Contra tudo e todos,
Qu’estes são os nossos modos
D’o ser!

Contr’a capital
Deste império derrotado,
Só um clube “d’outro lado”
E ideal,

Pode assim vencer,
Contra tal inconsciente,
Desta “celebrada” gente
Dum tal poder…

Dum país corrupto
Até ao seu tutano,
Onde um clube é o seu tirano
E seu representante inato!

Pois, no seu revisionismo,
Querem reescrever a história,
Negand’o maior momento de glória
Ao do fascismo!?

E, após o 25 de Abril,
C’o renascimento da liberdade,
Foi doutro a imortalidade,
E ao seu país hostil!?

Tal o revanchismo
C’as vitórias doutro clube,
Qu’ao centralismo lhe coube
Regressar ao situacionismo…

E nas falências morais
E bancárias,
Salvaram-se as ditas vitórias
“Nacionais”!?

E saindo o povo à rua
Pr’a saudar o “império”,
O despautério
De tal gente “nua”,

Vangloria esses feitos
Na palavra de curas,
Aliviando as agruras
Por milagres ou direitos…

Que na alheia derrota
Já se sentem hegemónicos,
Em critérios e tónicos
Duma longínqua batota!

E crentes nos ditos
Duma imprensa vendida,
Já preparam na “Avenida”
A celebração dos seus mitos…

Dizem que morremos,
Que já fomos “ocupados”,
Qu’estamos “sportinguizados”
Aos nossos ermos…

Qu’até já são campeões
Pelos próximos dez anos,
E que no máximo nos tornámos
Os seus secundários peões…

E que vergados na derrota
Mais improvável da época,
Tod’a nossa recente epopeia
De pouco importa!?

Como s’o clube do regime
Não s’afirmasse “glorioso”,
No seu passado ardiloso
De clube afecto a tal crime…

E que agora,
No quadro possível de democracia,
Já ganhassem, quem diria,
Niss’a a correr já por fora…

Não que não se saiba
Dos padres e das toupeiras,
E mesmo com tantas ratoeiras
A verdade (ainda) lá caiba!

Por isso, s’estamos quedos,
Ainda não estrebuchamos,
E podem contar que lutamos
Contra tais decretos!

Como no antigamente
Já se decret’o vencedor?!
Vale-se tod’o competidor
Duma arbitragem independente?

Ou vai ser com’o transacto
Ond’o apitador de Viatodos,
Apitava “com bons modos”
E c’o seu critério lato?

Mas sempre pr’o mesmo lado
Não foss’o benfica perder,
E na escala do poder
Ele ser o seu melhor avançado?!

E, sempre de reserva,
Pr’a ditas pontas finais,
Ditar resultados cruciais
Sempre qu’a dúvida “o cega”?!

E nisso poder ditar
Quem granjeia os milhões,
E quem embolsa as capitações
Só por “ganhar”?

Liberdade,
Escrevem eles nas redações,
E as greves sofrem sanções
D’autoridade…

Eles acham que morremos,
Mas no fundo sabem-nos vivos…
E, lá nos seus poderes colectivos,
Temem-nos!

Sabem que no pleno controlo
Ainda há mistérios insondáveis,
E há momentos incontornáveis
Mesmo ao dolo!

S’assim não fora
Tod’as ditaduras eram eternas,
E as lutas coisas hodiernas
De pura metáfora!

Enquanto de nós depender,
Sem a intervenção “divina”,
Podem contar qu’a nossa sina
É a de lutar pr’a vencer!

E se nos julgam moribundos
Por uma derrota injusta,
A luta mais se nos ajusta
Contr’os poderes corruptos!

E as nossas vitórias
Terão semblante libertário,
Pois, face ao poder arbitrário,
São ess’as maiores glórias!

Joker

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Posted on 16 de Agosto de 2019, in Palhaçadas. Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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