Que comecem os jogos!

Que comecem os jogos!
Já s’o dizia em Roma,
E a Liga se retoma
Nos mesmos fogos…

Quer-se linhas
E não quer coação,
E o que dizer da corrupção
Nas entrelinhas?

Nero também ditava leis
No circo romano,
Ganhava sempr’o mesmo fulano
Na multiplicidade dos seus papeis…

E se não era na arena
Era na corte,
Pois tinha sempre imensa sorte
Por decisão de tal pena?!

Pois, mesmo culpado,
Nunca ía a julgamento,
Por inocência ou adiamento
Dum recurso de jurado…

Ganhava sempr’a equipa
Do imperador,
Pois qu’era sempr’a melhor
No jogo da estripa…

E mesmo que vencesse
O adversário,
O polegar não se virava ao contrário
Nem c’a vaca tossisse!

Que comecem os jogos,
As partidas leais,
Que vençam os líderes naturais
Dos pequenos povos!

E nisto impere
A Pax Romana,
Porque, semana a semana,
O império assim o quer!

E há que voar
A águia imperial,
Não vá Portugal
Ficar sem ganhar…

E mesmo província
De tristes lusitanos,
Os juízes lá são soberanos
Em tod’a pronúncia!?

Veja-se o Rangel,
O grande jurado,
Que como qualquer encarnado
É um corrupto fiel…!?

E há que manter
O rácio da província:
Nunca há caso de polícia
No qu’ele possa decidir!

Pois qu’a “nação”
Dos desgovernados lusitanos,
Precisa de juízes soberanos
A decretar o campeão!!

E nisto já se conhece
Quem vence neste circo,
Qu’a competição é um mito
Da nossa “anamnese“!

E sempre esquecidos
Da nossa corrupção,
Podemos ter um campeão
Sem jogos favorecidos?

Neste império
Vigor’a lei romana,
E há circo, semana a semana,
Só para se criar mistério…

Pr’a manter uma capa
De competição,
E o jogo decidido d’antemão
Pelo Rafa!

Ou pelo Pizzi,
O melhor do torneio!?
Qu’o circo também estava sempre cheio
No tempo de Mussolini…!?

Ou no de Salazar,
Outro ilustre lusitano,
Pois no seu consulado puritano
Já se vencia sem se jogar…

E se mostrav’a Roma
Como modelo “europeu”,
No seu fascismo de céu
E exemplo de Reforma!

E nisso dava cartas
Nos jogos inter-tribais,
Vencendo taças internacionais
Sem jogar às quartas…!?

Mas caído o Império
Só venceu neste circo,
E o europeu ri-se do mito
De qu’aqui há jogo sério!?

Comecem os jogos
Da farsa, da mala,
Qu’a um imperador nunca s’o cala
Na pequenez dos seus povos…

Joker

Incendio_Roma.jpg

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Posted on 9 de Agosto de 2019, in Palhaçadas. Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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