Grito?!
O Ogro
Revela-se em tod’a sua emoção,
E grita em ênfase a exclamação
Ao povo:
Serão despedidos
Por cumprir c’a regra,
Porque quem emprega
Tem valores erguidos!?
E no pé da orelha
Grit’à inocente,
Que se não é previdente
Já s’a vê d’esguelha!?
E na sala, reclusa,
Por ordens escusas,
Ouve palavras “lusas”
Num grosso de voz “russa”…
O Ogro quer impor
Nist’o seu reinado,
Qu’o seu prémio está reservado
Ao maior terror…
Está nist’a precisar,
Quem sabe, duma greve,
Pr’a ver s’ainda “escreve”
O que diz a gritar!?
E se nisto assusta
Uma classe unida,
E qu’ainda faz p’la vida
Na sua sorte madrasta!
E se coloc’o Ogro
Lá no seu lugar,
E ao seu lacaio, por par
Deste tamanho logro!
Gente mais que vendida
E que não olh’a meios,
E que vê nos outros veios
Da sua vontade premiada!?
O novo totalitarismo
Quer vencer no grito,
Quer impor o mito
Do seu gigantismo!?
Quer mostrar poder
Na imposição da força,
Quer que s’o ouça
Qu’assim não pode ser…!?
Não se aceitam condutas
Adstritas à regra,
Porqu’a sua vontade é cega
No quadro das nossas lutas…
Há que lutar, sem medo,
Contr’os ogros de pés de barro,
E responder com garbo
A quem nos apont’o dedo!
E a quem nos grita
Aos ouvidos,
Mantendo-nos soerguidos
Perante a sua desdita!
E mantermo-nos firmes
A quem ostenta prepotência,
Mostrand’a confiança
De quem está conforme!
Outros, noutras eras,
Tentaram a intimidação,
Também eles eram a evolução
Das últimas feras…
Usavam palavras duras,
Gritos e ameaças,
Ou escondiam-se nas suas graças
E formosuras,
C’o mesmo intento
E visand’o mesmo fim,
Num propósito de marfim,
C’as palavras leva-as o vento…
E tudo à custa
De quem lhes escut’o grito,
E os ouve, convicto,
Qu’a nossa força os assusta…
Por isso alardeiam,
Alteiam a voz,
Gritam, a cada um de nós,
Porque nos odeiam…
Somos peças
No seu tabuleiro de xadrez,
E, cada um por sua vez
Trata das suas remessas…
E se nisto há obstáculos
Já se insurgem os ogros,
E c’os seu peões ditam o “logos”
Nos seus tentáculos…
E nisto mostram serviço
Como se fora labor,
E do Ogro tomam o favor
Por comutação d’antigo vício…
Uma mão lav’a outra
Nessa primícia conjunta,
E tod’a comitiva s’ajunta
Ao qu’os apouca!
E, sim, resistir
Contr’o fardo autoritário!
Esta gente não tem ideário
E só grita pr’a se fazer ouvir…
E quem lhes sustém o olhar
Na força da convicção,
Sem medo e com razão,
Fá-los “conversar”…
Joker

Posted on 9 de Agosto de 2019, in Palhaçadas. Bookmark the permalink. Deixe um comentário.














































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