Cultura ou genética?

O qu’é humano
Na sua consciência?
Uma total ausência
Dum relegado plano,

Ou um sub-producto
Do nosso genoma,
Ond’a tod’a forma
Nos determin’o atributo?

Já nascemos cretinos
Ou sensatos,
Ou são est’os resultados
Doutros destinos?

O qu’é intrínsecamente nosso?
O genoma ou a cultura?
Quanto da humanidade perdura
Quando nascemos em esboço?

Podemos ler muitos livros
E não passarmos de bestas;
Podemos limpar tod’as arestas
Dos nossos genes mais activos?

Pod’a cultura, a educação,
Mudar o humano destino,
Send’o gen’o inquilino
Da criação?

Quanto de nós convalida
O que nos determin’a essência?
Quanto há de inocência
A quem assim retira uma vida?

Já nascemos assassinos,
Santos, génios, benfeitores?
São os genes criadores
Dos nossos diferentes destinos?

O que nos dá essa força
Pr’a continuar na adversidade?
É pura arbitrariedade
A vontade qu’assim ousa?

Quem nasce pr’a conquistar
E pr’a nisso ser-se submisso?
Há um gene do vício
E outro que ser libertar?

A vontade é consciência
Ou tem ímpetos viscerais?
São as decisões culturais
E produto da experiência,

Ou resultam da genética
Que nos mold’a existência,
Pois qu’o fraco nunca dará resistência
À sua própria dialéctica!?

A força é coisa intrínseca
Mesmo sujeita à servidão,
Pois, na liberdade d’acção
Já se liberta!!

Nascemos todos dotados
Dos mesmos conteúdos,
Com virtudes e defeitos
Equilibrados?

Tudo igual,
Nas mesmas proporções?
Meras preposições
Do restante mundo animal,

Ond’o instinto
Lá prevalece,
Mas na humanidade se tece
Um intrincado labirinto,

E ond’o gene,
No seu traço evolutivo,
Tem na razão o seu crivo
À gestação do ADN!

E é a inteligência
Assim legada,
Que nos transmit’a chegada
A outra existência!

Somos producto
Já doutras vidas,
Doutras existências “perdidas”
No absoluto…

E é nesse crivo
Duma “linhagem”,
Qu’e há um travo de coragem
Ou de cativo!!

Não qu’a vivência
Esteja assim destinada,
Mas há no gene uma estrada
A uma só confluência…

Não qu’a sentença
Já esteja assim decidida,
Mas há um momento de vida
Em que se ger’a pertença!

E é nesse conhecimento
Da nossa alma em potência,
Que geramos a descendência
A cem por cento!

Em consciência
Das nossas fraquezas e virtudes,
Lutamos contr’as mais rudes
Que nos geram impotência…

Enaltecendo a virtude,
A força e a coragem,
E damos ao gene uma mensagem
D’infinitude…

E, assim, sobrevivemos
Neste legado,
Deixando no mundo firmado
Que nunca nele morremos…

Joker

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Posted on 9 de Agosto de 2019, in Palhaçadas. Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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