Um mundo perfeito

Há pessoas tão ricas, tão ricas,
Que vivem em castelos dourados,
E têm rendimentos enfeudados
Às suas grande retóricas!!

Pr’a eles o mundo é duma só cor,
Sem divergências de estilo,
E lá não se concede asilo
À dor…

A não ser à sua,
Qu’a vida muito lhes custa,
E tanto imposto s’ajusta
À sua verdade crua!

Não há deserdados
Nessa terra do labor,
Onde só há condescendência, e algum amor,
Pr’a c’os refugiados…

A integração é total
À sua cultura e autoridade,
Senão tod’a oportunidade
S’esvai na esperança desigual…

Qu’onde se not’a diferença
Tod’o grupo é visado,
Seja refugiado ou retornado,
Ninguém espera qu’aqui vença!!

Esse lugar d’eleição
Está reservado aos eleitos,
Porque eles são mais que perfeitos
Na sua formação!

E send’a vida
Apenas labor e eficiência,
A gente rica tem a preferência
Conseguida!

O mercado tudo regula
Na igualdade de tais entidades,
Pois qu’a economia não tem imparidades
Na gula!

Tudo é perfeição
Na economia que s’expande,
E a sociedade é de quem mande
Na sua auto-regulação???

E de todos o nómada,
O indígena, ou o judeu d’outrora,
Nota qu’a vida se lhes melhora
De forma cómoda…

Vivem de subsídios
Qu’a gente rica lhes concede,
Porque pr’a c’o “herege”
Há que lhe evitar mais genocídios…

São os párias da sociedade
Qu’a gente rica tolera,
Mas se saem da sua esfera
De marginalidade…

Lá vem o político populista
Reclamar do “seu” dinheiro,
E afirmar que tod’o “estrangeiro”
É despesista!

E na sua flatulência racista
O político tem seguidores;
São os ricos “trabalhadores”
Contra tal gente “mista”!!

E se forem aciganados
Ou portadores da “peste negra”,
Ou ainda confessores d’outra regra,
São excomungados!!

Pois qu’o mercado e as suas leis
São a vertente da civilização,
E a gente rica tem a condição
Dos novos reis!

A fraternidade, a tolerância,
São palavras vãs pr’a economia,
E há que seguir p’la nova via
Da abundância!!

É o apelo do dinheiro
Na sociedade de tal gente rica,
Porque só isso se justifica
P’lo mundo inteiro…

E nesse ideal de plena riqueza
Criam-se humanos plenamente ricos,
E depois, já únicos,
Resta reclamar a pureza!!

Mas com todos ricos
Já ninguém é pobre,
E é então que se descobre
Qu’alguns são genéricos!?

É preciso criar novas divisões
E levantar novos muros
Que sejam ainda mais seguros
Contra novas invasões!

Criar novas forças militares
Com armas mais mortíferas,
E arranjar guerras “pacíficas”
Pr’a escoar o material dos hangares!

E encontrar gente dispensável
Que possa lá ser dizimada,
E incrementar uma nova cruzada
P’lo santo condestável

Aumentar o producto nacional bruto
Pra ser exportado a Marte,
E destruir este planeta porque, em parte,
Já está morto…

Avançar à conquista de novos territórios
P’la galáxia dentro,
E produzir já um forte aumento
De novos acessórios!!

E encontrado outro jardim de Éden
Só lá colocar boa semente,
E tod’a santa raça ser de gente
Sem o ADN do Bin Laden!

E nisto ainda ser eleito
Um outro líder “branco”,
E a humanidade ganhar tanto, mas tanto,
Qu’o mundo, então, será perfeito…

Joker

Captura de ecrã 2017-07-25, às 00.10.16

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Posted on 24 de Julho de 2017, in Palhaçadas. Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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