Dia de Camões

Meu caro Camões,
Este, dizem, é o teu dia,
E que celebramos com alegria
As tuas épicas canções!!

A celebração nacional
Do Português como língua,
Desta nação que, à mingua,
Ainda te tem por ideal!?

A ti, que faleceste,
Na penúria, no abandono,
E te fizeram patrono
Do país que não tiveste!

Cantaste glórias
Dum tal povo ignaro,
Que te saiu tão caro
Lá louvar-lhe estórias!

Tanta cultura poética
Como pérolas a porcos,
Que só te deixaram ouvidos moucos
A tamanha ética!

Tanto épico poema
Pr’a galvanizar tais feitos,
E hoje os nossos “eleitos”
Só não te roubam a pena…

Serviste por exemplo
Depois de lá esquecido,
E hoje és reconhecido
Ao fim de tanto tempo…

Mas também c’os exemplares
Que temos de lusitanos,
Mil vezes os “nuestros hermanos”
D’Alcalá de Henares!

Com o exemplo de civismo
Deste povo tão corrupto,
E tu de travo tão culto
Pr’a tanto analfabetismo,

Mais valia seres príncipe-poeta
De nação mais séria,
Pois não há maior miséria
Do qu’aqui se colecta!

Com tanto corrupto de moral
Neste pequeno país,
Creio que se s’o plantasse de raiz
Chamar-se-ía de novo Portugal!?

Há como qu’uma chaga
Sobr’o nosso destino,
É do fado, é do hino,
É algo que não s’apaga….

É do nosso político passado,
Da nossa história d’enganos,
É termos tantos fulanos
A roubar pr’o mesmo lado!!

Mas também com este povo,
O que se pode esperar?
Há que tratar de roubar
Enquanto ainda s’é novo!!

E nesse maior exemplo
Todos o tratam de copiar,
Porque nisto de roubar
Não há que perder tempo…

E na primeira oportunidade
Tod’o Zé-Tuga lá rouba,
Porque a vida é como faz a loba:
Comer na primeira oportunidade!!

Não vá o alimento faltar
Pr’a roubar o que lá está à mão,
Porqu’o espírito de ladrão
Não pode perdoar!!

E o mal não é roubar
O património comum,
É saber-se qu’o trinta-e-um
Veio por s’o identificar!

E vendo-se a cara e os feitos
Desses ladrões de esquina,
O mal é que s’o afirma
Na ofensa dos seus direitos!??

Aí passam a vítimas,
De ladrões a “inocentes”,
E ficam tão previdentes
Que só roubam nas últimas

E sentem-se tão indignados
Com acusatório tão óbvio,
Qu’o seu maior opróbrio
É não serem nisso condecorados!!?

Pois lá salvaram a pátria!?
Nota-me o primor, Luís Vaz;
O que esta gente é capaz
Só por econometria!?

S’ainda fosses vivo, Camões,
E te soubesses em tal gente homenageado,
Há muito que tinhas emigrado
Junto c’as tuas canções…

E as tuas novas “Ilíadas”
Não falariam em tais “feitos”,
Mas realçariam tamanhos defeitos
Nos “Lusíadas”!

Qu’o qu’é mais sintomático
É a existência de Portugal!?
Só pode ser um fenómeno sobrenatural
De travo climático!

Uma confluência de ventos,
Terras mal-amanhadas,
De obras semi-acabadas
Por monumentos!?

E gente de tal estirpe
Que, se não tivesses uma vista,
Roubavam-te por cego, pr’a sua lista
VIP!?

Mas como só c’um olhar
Vês mais que muito corrupto!
Poeta, não sejas bruto:
Eles só estão a “trabalhar”…

Viva Portugal!

Joker

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Posted on 11 de Junho de 2017, in Palhaçadas. Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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