Histórias-de-encantar

Histórias-de-encantar

I

Caiu a cabeça,
Só falt’os tentáculos,
Qu’os próximos espectáculos
Vão dar mais qu’uma peça!

Vai ser um sucesso
Pois tal peça em cena,
E o qu’eu tenho pena
S’isto ficar d’avesso!?

Já caiu o cérebro
Do polvo tentacular,
Mas ainda quer ficar
O seu último membro…

Os restantes “braços”
Ainda se movem,
Mas o qu’eles não sabem
É que s’acabam os laços…

Pois qu’indo o mentor
Sem esperança de voltar,
O polvo tentacular
Fica em torpor…

E indo-se o polvo
Quem lhe protege os “filhos”?
E s’eles ficam em sarilhos
Num regime novo?

Quem lhes protege as vazas
De navegarem em águas turvas,
Se já nem as lulas
Desenvolvem asas?

Ai, que chatice,
Agora qu’o polvo se vai,
E se tudo isto ainda cai
No Reino da Alice?

II

No País das Maravilhas
Ainda há porcos a voar?
E a Rainha de Copas ainda quer ficar
Nas ilhas?

Ahhh! Perde-se o encantamento
Do Reino do Oz!
E o polvo já faz dose
No cumprimento?

Agora é tarde
Pr’a se quebrar o feitiço,
E a bruxa já deu sumiço
À tarte!

Só nos resta uma maçã
Envenenada;
Mas a história, inacabada,
Não será vã…

Vai ressuscitar a princesa
No beijo do cavaleiro,
E suspirará o mundo inteiro
Por tal beleza…

O príncipe, por salvador,
E cavaleiro de tal honra,
Dá a vida e qu’ele morra
Se não o fez por amor!?

Não foi por interesse
Monetário!
Pois qu’o seu salário
Era coisa que se visse!!

E se montou salão
À sua bela princesa,
Foi porque desta a beleza
Tinha isenção!

E ao montar-lhe o palácio
Feito de mármore e cristal,
Nunca se viu nada de mal
Em tal rácio!?

Era tudo natural
Neste conto pr’a crianças,
Pois qu’o mundo tem esperanças
Numa história sempre igual!?

A natureza humana
Como já o dizia Rousseau,
Era boa, e sempre s’amou
De forma plena!!

E s’o homem é corrompido,
É por causa da “cidade”,
Porque aí a fraternidade
Tem no dinheiro mais sentido!

E a culpa, por solteira,
Já nos morre nestes braços,
E a sociedade já dá abraços
À nossa Gata Borralheira!

Oh, que pena,
É tão boa pessoa!
Que se não fez coisa boa,
A sua culpa ainda é pequena…

Nunca houve dolo, intenção,
Só negligência inconsciente!!
Era tão só previdente
Na sua gestão!?

E uma história d’encantar
Tem que ter óptimo final,
Estando nós em Portugal,
Junto ao mar…

Há lá cenário mais idílico
Qu’o Portugal dos pequeninos?
E os corruptos não são assassinos
No crime atípico!?

E um corrupto cabe sempre
Bem, numa história d’amor,
Porque ele é um “dador”
Do dinheiro de tod’a gente!!

É um Robin dos Bosques
Ou outro Zé do Telhado!
E um conto quer-se talhado
Com ele “a dar de frosques”!!

Por isso pr’a escrever um “FIM”
Só me falta a última cena,
Qu’esta história não vai pequena,
Ai de mim!!

É preciso um plano gigante,
E uma cena cheia de bons amigos,
E a polícia “entrar aos tiros”
Num pirilampo gigante!!

Uma cena bem feérica,
Daquelas que não s’olvida,
E a história ganhar mais vida
Histérica!

Uma enorme lamúria
Clamando por inocência,
E a prova da insuficiência
E penúria!

Afinal, morrem insolventes,
Os nosso heróis da história,
Que já não s’elev’a glória
Por factos tão “inocentes”!

A culpa, essa, é distante,
Na nossa humana consciência,
Porque uma história tem coerência
Se lida de trás par’a frente!

Que quem leia do final
A história par’o início,
Ao meio pára por vício,
Pois ela é sempre igual!?

Só mudam os actores
Qu’o enredo é sempre único!?
E só no final, e por último,
Se dissipam os rumores…

FIM

Joker

OINC-A-Historia-do-Principe-Porco

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Posted on 31 de Maio de 2017, in Palhaçadas. Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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