Amor de perdição

Faz o qu’eu digo
E nã’o que faço!
Porqu’o meu pedaço
É comigo!

Vê-me só esta moral
Que propago por verdade!
Há tanta sinceridade
Neste meu mural…

Escrevo tanta razão
Contr’as más políticas,
Que só não faço críticas
À minha corrupção!

Que neste meu exemplo
Olha pr’o que digo,
E o que fiz por antigo,
Já lá vai ao tempo…

E há prescrição
Em tod’os ilícitos,
E s’os factos são atípicos
Porquê tanta acusação?

Er’a praxis corrente
Da própria gestão!
E s’eu meti a mão
Não o fiz contente!

Foi a oportunidade
Duma época,
E por hoje a meta
Está na probidade!

Mas então ao tempo
Er’o que se queria,
E quem não os fazia
Perdia-os ao vento!..

Por isso s’os fiz
Na versão mais medonha,
Hoje fico tão tristonha
Naquilo que se diz…

Que não é verdade
Aquilo que s’apregoa,
Não os fiz à toa,
Mas sim p’la oportunidade!?

E havendo “direitos”
A quem os escolhia,
Eu também os queria
Perfeitos!

“Era do melhor”
Esses tempos antigos,
Pois tinha “bons amigos”
No esquema dador!

E se fiz fortuna
Foi só por acaso,
Que nunca me deu azo
De ser boa aluna!

Er’o sistema
Que estava em aberto,
E quem não se fez “certo”
Disso teve pena!

Pois eu qu’os fiz
E nisso bem pagos,
Hoje se há culpados
É porque lá se diz!???

Eu sou inocente
De tod’a acusação,
E hoje faço sermão
Por ser previdente!

E na grande moral
Que guardo por “ética”,
Tenho esta dialéctica
Doutoral…

Nunca me viram escrever
Contr’a corrupção?
E contr’a adulteração
Do bem viver?

Eu falo de tudo
E escrevo tão bem,
Que não conheço ninguém
Com tamanho estudo!

E o meu bom nome
Está aqui no que digo,
E sofre castigo
Quem não está conforme!

Olhem pr’o qu’eu escrevo
E não pr’o que fiz,
Eu tenho um excelente cariz
No ego!

Faço um plebiscito
Aqui no mural:
“Em Portugal,
Ond’é qu’isto é delito?”

Não há corrupção
Sem haver corruptor,
E eu fi-los por amor
De perdição!

Por desprendimento,
Por paixão louca e absoluta,
Porque tod’a minha conduta
Foi de sofrimento…

E se é patente
O enriquecimento ilícito,
Há nisso um implicito:
O amor ardente!

E quem age de coração
Não comete crime,
Porque isso é que define
A sua intenção!

Sim, tenho moral,
Naquilo que apregoo,
E naquilo que sou,
Pois mais bem que mal…

Joker

Amor de perdição

A santa e as beatas…

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Posted on 30 de Maio de 2017, in Palhaçadas. Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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