O seminário

No nosso seminário
Não se sabe que ordem reina,
E quem se manda é a sotaina
Ou o grande-vigário!?

Pois qu’ali é tudo molho
E fé em Deus,
Onde pairam santos e ateus,
E a porta se fecha em ferrolho!

Pairam ali ex-priores
E supostas abadessas,
Mas quem manda nas rezas
São os seus protectores!

No seminário a educação
É privilégio de doutores,
Para nisso serem curadores
Da nossa fé e razão!

Mas a razão da Igreja!
Não vá tecê-las o diabo;
Porque as lições do diácono
É coisa qu’ali sobeja!

E a instrução dessa ordem,
Que não se sabe qual é,
É coisa de tanta fé
Que ali só cabe a desordem!?

O privilégio d’ensinar
Numa ordem de Cluny,
É qu’o diabo só se ri
S’um dia nos pode tentar!

Ou da ordem de Cister,
A fundação deste reino,
É qu’o céu é eterno.
Mas se do mesmo se souber!!

Mas desta ordem daqui
Que ninguém sab’o que professa,
É que qualquer abadessa
Ensina o que não sabe pr’a si!!

Que de matéria religiosa
Há muito qu’é bem formada,
Que nunca ela foi chumbada
Na sua fé clamorosa!?

E ali os ex-priores,
No seminário são fartos,
Porque eles também são muito espertos
A fazerem-se de “doutores”…

O qu’a li gravita d’alta cúria
Em terra de seminaristas,
Que um dia só há catequistas
D’apostasia…

E a razão da Igreja
Nessa matéria do credo,
Há muito que nos mete medo
No ensino que mal se veja!

É assim a ordem dos “bem-aventurados”
Nos seus trajes esfarrapados,
Qu’eles andam tão mal pagos
Nos seus soldos duplicados…

Porque há qualidade d’ensino
Na fé em qu’ali laboram,
Que nunca se demoram
Até a trabalhar ao Domingo!?

No dia do Senhor
Andam os seminaristas na rega,
E quem ali a alma entrega
A esta classe de confessor?

Qu’eles foram ben escolhidos
Na sua ascese confessora,
Que na diocese se labora
Pr’a tod’a classe d’amigos!

E tod’a alma cristã
Merece uma segunda oportunidade,
Que no mundo da cristandade
O mérito é coisa vã…

Mais vale ter alma pura
E ser-se devota à Senhora,
Qu’uma alma formadora
De sol de pouca dura…

É a regra do vigário
Pr’a quem a quiser cumprir,
Qu’o que rest’a seguir
É ver o conto em numerário!

E assim tod’a Cúria
Tem a melhor classe de padres,
D’abadessas e compadres…
Até um dia!

Pode ser que se faça luz
Nas terras do seminário,
E que vá ao confessionário
Quem acredita em Jesus!

Nesse homem feito Deus
Pela santa mãe-igreja,
E que de tod’o mal nos proteja
De beatos e fariseus!

E que venh’o advento
Do reino de Deus sobr’a Terra,
E que prevaleç’a paz, qu’a guerra
Já não dá sustento!

E há muito a professar
Nessa nova teologia,
Qu’o seminário aind’os servia
Se pudesse lecionar…

Mas o ano está no final
Mesmo ele estando a meio,
E o seminário, ainda que cheio,
Não destrinça o bem do mal…

Por isso a abadessa
E os restantes ex-priores,
Já se querem nos andores,
Ainda que não tenham pressa…

Vai mudar a regra
Da ordem conventual,
E além do bem e do mal
É o “dinheiro” qu’a confessa!

Vão sair “beneditinos”,
Nos seus trajes muito negros,
Mas já regressam aos seus empregos
De monges, um dia, sim, “paladinos”!

Joker

São francisco

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Posted on 18 de Março de 2017, in Palhaçadas. Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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