Nem nomeado!

Podem visar-me em processos,
Fazerem-me ameaças recônditas,
Marcarem-me ajustes de contas,
E outros cenários conexos…

Que não me deixo vergar
À vossa arbitrariedade,
À vossa cumplicidade,
Ou ao vosso pretenso mirar…

Ou às marés do marinheiro,
Varino, pequeno e artista,
Que disse que me tinha em vista
Um dia s’estiver no poleiro!

A esse que tanto resvala
No olhar soez e indirecto,
Que saiba que me mantenho erecto
Perante tod’a cabala…

De gente mesquinha e pequena
Há muito que estou vacinado,
E não é um qualquer títere mirrado
Que m’esmorece o poema!

A esse que olha de viés
Medindo-me na minha compleição,
Que saiba que na minha razão
Luto de mãos e pés!

Que tente na sua imaginação
Prever esse resultado,
E que faça no seu voo queimado
A equiparação…

Ou afira dessa portaria,
O regime em que se sente em casa,
Se se me tentar em brasa
Que mal lhe adviria?….

Ou veja se lhe folg’a coluna
Nas folgas que faz a voar,
Se um dia ele também ousar
Tentar voar em pluma…

Há muita gente inconformada
C’a vida tida em equidade,
E ainda que se voe em clandestinidade,
Não é a mesma tourada!!

Os chibos e os maratonistas,
Ou os porcos vindos de terra,
Ainda se mantêm em guerra
Porque são os reservistas!

Não há um único d’excepção
No quadro tão óbvio e concreto,
Porque têm um amigo mais perto
Da nomeação…

É uma luta longa e dura
Contr’o sistema duradouro,
Esse enleio de tesouro
Pr’a gente qu’o procura…

Alguns que na assembleia
Até votam de braço no ar!?
“Sindicalistas” que no seu votar
Merecem uma plateia!

Eu vejo-os d’olhar escondido
Na hora qu’a verdade s’assoma,
E esta gente ainda reclama
Do “direito perdido”!?…

Votam tod’as moções
De cabeça prostrada no chão,
E o seu voto é sim e não
A tod’as contradições!?

É disto que se faz a classe,
Mas não na sua maioria,
Mas esta gente é que se queria
De base!!?

E os pontos que por negativos
Não faziam mal a ninguém!?
Por isso ter mais ou menos cem
Dav’os voos sempre por perdidos…

E outros que reclamam equidade
Andavam anos a poupar,
E nesse entretanto quem tinh’a ganhar
Er’a arbitrariedade!

Há muito pr’a caminhar
Num sistema qu’é mais justo,
S’até eu já tenho um gosto
Daquilo que é voar!

Nunca tive disto
Em anos e anos de prestação,
Porqu’o sistema feit’o à mão
Nunca me tinha visto!

Deixavam-me no residual
Pr’o trabalho que ninguém pedia,
E eu nist’os merecia
Por ter “trabalho a tempo parcial”…

A parcela que me tocava
Era aquela que ninguém queria,
Por isso só eu os fazia
Pr’a mesma coordenada…

Faltava-me o requisito,
O toque do conhecimento,
E dava-me ao cumprimento
Por travo dito e escrito…

A obra feit’a mão
Num sistema “automático”,
Tinha-se sempre apático
Na minha nomeação…

Era tudo coincidências
Do “arco da velha”!
E a malta ainda se queria esguelha
Perante tais evidências…

O que me cust’a acreditar
É como ninguém foi d’andor,
E ainda recebem um louvor
No acto de se re-nomear…

Esse qu’ainda pensa voltar
Pr’o antro de corrupção,
Porqu’a trupe ainda está em acção,
E sabe como actuar…

Eu creio na santa mudança
Do tempo que ainda há-de vir,
Senão é tempo de fugir
Da esperança…

Não que lhes tenha medo,
A essa corja de cobardes…
Mas viver num mundo de compadres
É o degredo!

Voltar a esse velho sistema
Ond’o bom er’o que se vendia,
Antes nisso preferia
Uma outra pena!

Ser enforcado
Por insurreição,
Pois que homem de mão,
Nem morto, ou nomeado….

Joker

enforcamento

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Posted on 8 de Março de 2017, in Palhaçadas. Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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