Transformismo

Não deve haver profissão
Mais difícil qu’a de transformista,
Ou seja, mudar de ponto de vista
Como quem muda d’opinião!

E trajar com orgulho
Roupagem do patronato,
Ao vestir um fato
Pr’a cometer um “esbulho”…

É difícil profissão
Ser-se travesti n’atitude,
E gozar de financeira saúde
A troco de tod’a submissão!

Vender a classe
À mão que nos alimenta,
E dizer que s’aguenta
Até qu’esta maré lhes passe…

E assim impor
Uma vontade alheia,
Como se não houvesse ameia
Pr’a lhes rebater o vigor!

E nisto querer manter
Tachos a troco duma imposição,
E desvirtuar uma tripulação
Por exercício de poder…

É muito complicado
Ser-se um transformista,
E vestir uma roupa pr’a revista
E outra pr’a ser homenageado…

Mostrar serviço,
Sej’a ostentar a farda,
Ou a trajar a albarda
Neste terreno fronteiriço…

É um serviço ingrato
Não se conhecer a função,
Em qu’uma vez se dá a mão
E na outra o grito castrato!

É conforme a veste
Que no momento s’ostenta,
E s’o que está à venda
Lhes apreste!

É que com tanto cargo
E demais funções,
Várias são as situações
De vestido largo…

Não assenta o fato,
Ou mesm’o vestido…
Porque está comprido
Ou é caricato!!

É uma vestimenta
Feita à medida,
Mas parece comprida
Mais qu’a encomenda!?

Não lhes assenta bem
Tod’a indumentária,
Pois qu’em tal parafernália
Não se sabe quem é quem!?

São nisso patrões
Ou trabalhadores?
Vão de fatos multicolores
Ou de fardas com galões?

É dur’a vida
De tais transformistas,
Porque dão nas vistas
Nela por “sofrida”…

Ao julgar os “seus”
Como se fossem outros,
Vestem-se de doutos
Pr’a serem “judeus”!?…

E assim vestir
A cada momento,
O que lhes dá maior sustento
Enquanto porvir…

E em tal transformismo
Vestir “fato-macaco”,
Sem nos rimos do facto,
Por sentimentalismo…

É a vida do “travesti”
Ter que mudar de roupa,
Porque ela já é pouca
No que se veste…

Por isso é aproveitar
E vestir as vestes,
Porque enquanto as despes
Ainda se t’as estão a pagar!

E depois de despidas
Sempre tens a farda,
E já se t’aguarda
Ainda sete vidas!

Porqu’o teu fato
Será sempre d’alta costura,
E muito se t’augura
No teu salto alto…

Quanto transformismo
Em fim-de-estação;
Toda esta colecção
De “seguidismo”…

De corte-e-costura
Pr’a encher o bolso,
Porque esse é o negócio
Qu’ainda perdura…

E enquanto durar
Segu’o transformismo,
E o nosso maior “idealismo”:
Costurar!

Fazemos-lh’os fatos
Qu’eles ainda ostentam,
Porque tudo aguentam
Contra nós, os fracos

Joker

tranformrs

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Posted on 2 de Março de 2017, in Palhaçadas. Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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