Onde estavas tu?…

Foi feit’a “revolução”
Por um punhado d’audazes,
Pr’a qu’outros fossem capazes
D’ousar em rebelião!

Mas poucos deram o peito
Às balas tidas por ética,
E lá s’encolheram na táctica
Do “mundo não ser perfeito”…

E antes pouco que nada
Na luta qu’é sempre incerta,
Que nist’a “ética” acerta,
Causand’a debandada…

Os campeões da “ética”
São nisso grande exemplo,
E ganham tanto mais sustento
Quanto mais usam da “balística”!

Acertam sempr’a distância,
Do seu olho atirador,
Que basta ameaçar com dor
A nossa (fraca) militância…

E poucos foram capazes
De nisto “revolucionar”,
Sem medo d’os enfrentar
Nas suas ameaças eficazes!!

E sim fez-se revolução
Revelando tod’a injustiça,
E esse concerto de cobiça
No enxerto de traição!!

“Colegas” por camaradas,
Se tinham nas nossas fileiras,
Abrindo-nos frechas nas barreiras
Das nossas lutas “armadas”…

E tidos por “salvadores”
Da luta que lá apregoavam,
Nisto já se governavam
Pr’a dias piores…

E feit’a revolução
Que lá lhes mostrou o rosto,
Eis que lhes vei’o desgosto
Da revelação!!?

E esses poucos que lutaram
Por ditames d’igualdade,
Sabem por completo a verdade
No que tais atraiçoaram!!

E nesta senda revolucionária
Como uma Primavera de Praga,
Muitos a fizeram vaga
E desnecessária…

Mas eis qu’a ordem muda
Na senda do movimento,
E cambia-se o sentimento
Pr’a se prestar ajuda!?

A luta já transcorrida
Em sangue, lágrimas e suor,
Já tem nisto um vencedor
Que deu a própria vida!!

E “morto” nessa batalha
Por uma bala vinda da fresta,
Que nisso se tinha aberta
P’la tal canalha

É nisto erigid’a herói
Em estátuas de mármore e ferro,
E o mundo acerta o seu erro
No que já não lhe dói…

É caso pr’a perguntar
Na senda de tantas dúvidas,
Porquê tantas doações públicas
Pr’a se lhe edificar?

E agora que não há assunto
Já tido por revolucionário,
Comenta-se da guerra o refractário
Que nisto lutou “junto”!?

Agora c’a guerra finda
E a batalha já decidida,
Já se pode salvar a vida
Estando na berlinda!!

E aí já se questiona
Os métodos de tanta repressão,
E tomam-se heróis da nação
Apenas c’uma dragona!?

É sim, caso pr’a perguntar
Onde é que lá estavas tu,
Quand’o roto e nu
Estav’a batalhar?

E colado ao seu camarada
Lutava ombro a ombro,
Desviand’a cada escombro
Um corpo que ficava…

É fácil clamar vitória
Depois da batalha finda,
E da paz, depois sobrevinda,
Reclamar outra memória!?

Onde estavas tu
“No 25 de Abril”?
Eras um por mil
Nesse silêncio cru?!

E agora gritas
Como se numa investida,
E queres “dar a vida”
Porque “ainda” acreditas!?

Deixa-te quedar
No teu anacronismo…
A guerra é um eufemismo;
Não há que batalhar!

Podes ficar em paz
Nas tuas presunções,
E mostrar às multidões
Do “qu’eras” capaz…

E assim te saberão
Um combatente de direito,
Um cavaleiro perfeito
A ostentar o brasão!!

Eras nisto um marquês
Na luta e revolta?
E sim, fizeste a tropa
Num exército cortês…

Por isso esse mutismo
Na hora da refrega,
Que nunca se sabe ao que chega
O romantismo…

E sim, tu lá estavas,
Digo, V. Excelência,
Em perfeita (in)continência,
A ver s’escapavas…

Joker

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Posted on 17 de Dezembro de 2016, in Palhaçadas. Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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