Zero!

Zero!
Zero absoluto!
Nem eu já luto,
Ou exaspero!

Um completo zero
Ou coisa nenhuma!
Nem réstia d’alma
Pr’a apontar o erro!

Esta prostração
Por fatalidade!
Falta-m’a capacidade
Pr’a outra emoção…

A total descrença
No que foi o Porto!
E que hoje jaz morto
Na minha indiferença!?

Nem o jogo vejo,
Sequer o resultado!?
E s’acabado
Já sei o desfecho…

Este fatalismo
Tão português,
Chegou à minha vez
Como niilismo!

Já não sei de nada,
Nem quero saber,
E, nisto sei-m’a morrer
Na obra inacabada…

Aquele velho símbolo,
Antes perdedor…
O meu grande amor
Na humanização d’um ídolo!

De grandes alegrias,
Que nunca esquecerei!
Grande, com’um rei
Em tantas gritarias!!

Hoje recalcadas
Na morte anunciada,
E a sorte estar jogada
Há tantas jornadas…

O sintoma d’abandono
No sonho de tal glória,
E nem uma vitória
Já me tir’o sono…

A total ausência
Da ligação carnal,
E ter por natural
Essa carência…

Já não sentir no peito
O fulgor dessa batalha,
E ver tud’a “maralha”
Num jogo desfeito…

E as peças sucessivas
Caírem como bispos,
E os líderes serem vistos
Ainda com sete vidas…

Não lhes desej’a morte,
Apenas discernimento,
E dar o seu assento
A outro norte!

Uma nova vitalidade,
Um jorro d’outro sangue!
Um Porto sem ter gangue
De liberdade!

E nessa força-vivente,
Notar as cores sagradas!
E as camisolas, suadas,
Como antigamente!!

Ressuscitar o amor,
O nosso veio sagrado!!
E o Porto ser amado,
Num gesto abrasador!!

Um bafo do dragão
A aquecer-nos o espírito,
E sentir que tal mito
Tem encarnação!!!

E nessa chama quente
Ter o peito em brasa,
E o Porto estar em casa
C’a sua gente!!

Unidos em tal voz
Nessa força de vontade,
E até ter na cidade
Uma de nós!

E abrirem-se avenidas
Ao cortejo de vitória,
E o povo ficar na história
Em tantos vivas!!

Um sonho já perfeito
Qu’hoje se desfaz,
E eu que nem sou capaz
De sentir o peito…

O símbolo sagrado
No escudo da cidade,
E a minha edilidade
Estar noutro lado…

Com vós em pensamento
Sou filho de tal terra,
E o Porto a minha “guerra”
Por juramento!

E agora que vencido
Em terra que não “minha”,
Não vive quem definha,
Já combalido…

Um zero!
Do tudo, o nada…
E a alma, já d’abalada,
No próprio enterro…

Joker

Sem alma...

Sem alma…

Posted on 30 de Novembro de 2016, in Palhaçadas. Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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