Mundo suíno

O mundo é suíno,
Está entregue aos porcos!
E os outros, roucos
De gritar o hino!?

O nacionalismo
É nisto exacebrbado,
Qu’o mundo está tomado
P’lo suinísmo!

Pr’a quê hastear a bandeira
Das cores nacionais,
Se só os porcos são iguais
Em qualquer cimeira!?

E seja no continente
Ou mesmo ali nas ilhas,
O porco segue as trilhas
De tod’o remanescente!!

Qu’o porco-ilhéu
É producto de qualidade,
E da nacionalidade,
O melhor pitéu!

É um mundo suíno
Este onde vivemos,
E valem-nos os torresmos
C’um copo de vinho!

Qu’o resto é viver
Neste mundo tão porco,
Que nisto m’apouco
Só por o descrever…

São já parcas letras
Sobr’o mundo dos suínos,
Que lhes sei os destinos
Nas patas negras!

E nisto m’esgoto
Qu’é deles o mundo,
E como é imundo
O seu esgoto!

Não val’a pena
Continuar a lutar,
Que pr’a este mundo mudar
Nem c’uma quarentena!!

Estamos infectos
Da peste suína,
E a estirpe assassina
Têm-nos já recos!!

Estamos em metamorfose
No processo sanguíneo,
E já sint’o domínio
Desta virose!!

Já emito guinchos
P’las minhas sinapses,
E antevejo as “frases”
Dos bichos!?

O domínio é total
Desta epidemia,
E mais dia menos dia
Temos Porcogal!…

Acordei mais cerdo
Hoje p’la manhã,
E a peste já está meã
No meu dedo…

Não consigo teclar
C’a mesma incidência,
E uma pata em saliência
Está nist’o martelar!!

Tac, tac, tac…

E já martel’o cerdo
C’os dois tocos;
Os versos saem-me trôpegos
Na falta de dedo!?

Todo eu sou suíno
Já no pensamento:
Sim, sim, quero um aumento;
Não interess’o destino!!

Sim, sim, eu troco
Por maior entrega!!
Que se lixe a regra
Que me dá pouco!!

Eu quer’o chiqueiro
Pr’a chafurdar!!
Quem me quer igualar
No cheiro?!

Já só vej’a hora
De voltar a comer…
O que me está a acontecer
Na veia motora???

Já só abr’a glote
Para deglutir…
E já me ouço a grunhir
Por mote!!

Quero mais!!!
Solta-se-me o grunhido…
E já sou servido
Por outros animais!!

É tudo à farta
No mundo suíno!!!
Como e não assino…
Qu’enfarta!!

Ah, o mundo é lindo,
E não há chiqueiro,
E até o cheiro
É findo…

Não, não é fiasco,
Ser nisto suíno!
E s’o meu destino
É fazer de churrasco…

Vou encher a mula
Enquanto o puder!
E se mais não houver,
Há gula!

E depois já gordo
Como um peixe-balão,
Faço a digestão
Num pau-de-louro!

E assim a estirpe
Dá continuidade,
À productividade
Torpe….

E o mundo suíno
Dá expansão universal,
Que já não é só Porcogal
O meu destino!!

Tenho-me na dose
Dum destino farto,
Já sou um porco-nato
Por metamorfose…

Joker

o_porco_passado_a_limpo

Posted on 25 de Novembro de 2016, in Palhaçadas. Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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