Desisto!

Não desisto
De mudar o mundo,
Mas não esgravato mais fundo
Qu’isto!

É tão evidente
A prova do “crime”,
Qu’isto, “in limine”,
É tudo inocente!

E seguind’o sistema
Quase por igual,
Sou eu qu’estou mal
Na medida da pena!

Ainda vou preso
Por querer justiça,
Porqu’a minha cobiça
É tornar-me mais teso!

E quem lá promove
As “férias” em grupeta,
Ainda dá ares de vedeta
Naquilo que “move”…

E tão bem conservado
Na sua aparência,
Ainda traja inocência
No riso aclamado!

E há tanto cinismo
Aqui na refrega,
Que tod’a gente lhe nega
O seu dualismo!

E ainda s’incentiva
A moral de gente,
Que nisto à frente,
Apenas por conviva!

É apreciar
Por lá o seu histórico,
E ver o seu categórico
Exemplar!?

A ordem é calar
A vergonha passada,
E fingir aclamada
A era do “colaborar”…

E nist’a desistência
Não é em razão do medo,
É já por não ter credo
Nesta resistência!

Não, não val’a pena,
Querer mudar sozinho,
Porque em tal caminho
A via é pequena…

E só lá fic’a espaço
Pr’os predestinados,
E mais galardoados
No seu embaraço!

Mas tal continua,
Mesmo por vergonha,
E a aposta medonha
Que não se recua…

E só nist’o tempo
Pode definir,
O que vem a seguir
Em tão crasso exemplo!

E o que vier
É o que se merece,
Porque tudo acontece
Naquilo que se quer!

E se se concorda
Com o estado de tal,
É fazer igual
Que ninguém acorda!

E mesmo que visto
Tal constrangimento,
Resiste o sentimento
“Que não passa disto”…

E temos por normal
A prática corrupta,
E “ninguém tem a culpa”
Do estado actual…

E ainda s’afaga
O ego corrupto,
Esquecendo-se o insulto
De quem “avançava”…

E o populismo
Ganha força vidente,
E nisto há mais gente
Em tal seguidismo…

Esquecendo qu’esses
Nos “anos dourados”,
Viviam treinados
Como bons fregueses!

Pois nisto desisto,
Estou farto de merda!
E a vida é uma perda,
Se nisto resisto!

Basta-me saber
Que não lhes sou igual,
E um dia, sem mal,
Tudo lhes acontecer…

Como s’o Universo
Tivesse as suas leis,
E até duques e reis
Sentissem o efeito…

E nisto desito,
Mas não de viver,
Tenho mais que fazer
Que dar conta disto!?

S’esta é vontade
De quem assim nos rege,
Este mundo negro é bege
De claridade!

E é assim viver
O melhor que se pode,
E já que nada se “sabe”,
Nada nos pode acontecer…

🙂

Joker

animal_farm_by_withindreams

Posted on 25 de Novembro de 2016, in Palhaçadas. Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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