A manada

Eles não sabem…
E se sabem não veem..
E se veem qu’interessa,
Se tudo o que os lesa,
Noutros se crêem
Que se jazem?

Eles não querem saber,
Nem saber o que se sabe!
E isso que valia lhes tem?
Saber que nisto alguém
A quem tudo cabe
Por saber viver?

E que felicidade
Isso lhes trás?
S’a vida é uma roleta,
E se se têm na sarjeta,
Só porque alguém é capaz
De tal possibilidade?

Não há razão
Pr’a mudar o mundo!
Porque viver
É saber
Que lá no fundo
humanização!?

E quem ordena,
Por todos vela,
Por razoável!
E é indubitável
Qu’a nossa cela
Não é pequena!?

Temos espaço
Pr’a conviver,
E “reflectir”…
E quem vem a seguir
Pode ainda aqui ter
Maior pedaço!?

S’estamos presos
Na consciência,
Ainda estamos vivos!!
Temos amigos,
E suficiência
Nos nossos preços!!

No supermercado,
Enchemos carros
De belos productos!
E ainda temos autos,
Motos e “parros”,
De bem rotulado!!

E se não se gosta
Do nosso trabalho,
Podemos trocar!!
E optimizar
Cartas fora-do-baralho
Pr’a se ganhar ‘aposta!

Producto neo-liberal,
Sem réstia de vontade,
E auto-consciência!
Qu’a sua militância
É a familiaridade
C’o “poder local”!

E isso qu’interessa,
A corrupção
Da vida e dos valores?
S’a loja de penhores
Me fizer a avaliação
De mais uma peça?

O jugo do dinheiro
Aos escravos desta era,
Na ânsia de mais ter!
E nisto, e s’o sofrer
Vingar nessa quimera
O plano financeiro?

Não, nada se sabe,
Do ímpio e do corrupto,
Aqui ao nosso lado…
E se há nisto culpado,
Eu sou nisso o inculto
Naquilo que lhe cabe!!

E isso de direitos
É coisa muito vaga,
Palavras sem sentido..
Mais vale ter um amigo
Que sempre que nos “salva”
Nos toma mais defeitos!!

E guarda por penhor,
A nossa garantia
Da “palavra d’honra”!?
E eu pois nisso morra
S’ele precisar um dia
Do meu eu “salvador”!

E se violar as regras,
Por bom “sindicalista”
Naquilo que dá jeito?
É isso um defeito,
Não querer ser “comunista”
E estar nas listas negras!?

Eu sou, politicamente,
Aquele o mais correcto!
E até pago as quotas!
(É preciso pagar contas)
E assim me tenho erecto,
Acidentalmente…

Porque sempre acerto
Numa qualquer proposta,
Sim, que sempre voto!!
E levanto o escroto,
Sempre que s’arrosta
O combate aberto!

Tenho que sair,
Tenho qu’ir mijar,
Fumar um cigarro!!…
Ai, o qu’eu me cago
Se for pr’a lutar…
Só pr’a dividir!!

Não quero saber,
A não ser do meu!
Qu’o mundo é perigoso…
E adianta-me um grosso
Ter que ser eu
A fazer valer!?

Pr’os cornos do touro,
Querem pois lá ver,
Qu’eu não sou incauto!?!
E não parto um prato,
Pois qu’os sei fazer…
Longe o mau agouro!!

E as represálias?
E o Natal e o ano?
E a “equidade”?!!!
E a “Natalidade”?
E o grande plano
Das “anomalias”?!

E a coincidência
Qu’é ter a família
Ali no quentinho?
E o arranjinho
Pr’a ter se ter alegria
Numa assistência?

E o réveillon,
Na quíntupla erecção
Do nosso menino?
Querem ver qu’o destino
Tem masturbação
Na mão do Leblon?!?!

Não se passa nada,
Está tudo porreiro…
É só mais um ano!…
E não, não há engano,
Pois qu’o mundo inteiro
É uma manada..

Joker

Mééééééééééééé... (Tradução: Não sei de nadaaaaaaaaaa!)

Mééééééééééééé!!!!… Tradução: “Não sei de nadaaaaaaaaaa!”

 

Posted on 19 de Novembro de 2016, in Palhaçadas. Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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