Aniversário

Amanhã há festa
Ali por Odivelas,
E o bar sopr’as velas
Ao tempo que lhe resta!

E o qu’ele bomba
Por lá nessa enchente!
O qu’ali irá de gente
A entrar p’la sombra!!

E a bela da caxupa
Que se servirá a granel?
E tanto malandro de cordel
Cheio de “garupa”!!

Tanta conversa solta
No permeio do gin tónico,
E o arremedo do cómico
Enquanto se manda uma boca!!?

E o bom do anfitrião
Que solt’o sorriso orgulhoso,
Porqu’o negócio doloso
Está quas’a atingir o milhão!!

E a sua primeira-dama
Já faz malas pr’a noitinha,
Porque já nela s’adivinha
Uma chamada pr’a Luanda!

Alô? É a minha santinha?!
Veja lá esta surpresa,
Vai a minha beleza
Buscar uma guitazinha!!

E levar umas garrafas
Pr’os amigos deste bar,
Qu’eles se estão a safar,
Com’o caraças!!

E nós! C’a Pêra-Manca!
Despacha já 3 malas!
Qu’isto está pr’as alcavalas
Enquanto não se manca!!

Se não quiseres avançar
Eu mando aqui o Eusébio,
Qu’ele ja´está meio ébrio
Mas ainda pode traficar!

Toma lá mais um gin!
Ah, gand’a benfiquista!
Tens uma pinta d’artista
Qu’até te nomeio em Latim!

Alea jactae est!!
Vá, já estás no ir!
Nem val’a pena pedir
O destino a leste!!

Tem é que vir o tabaco!
Sim, alguns pacotes!!
C’a malta fuma aos magotes,
Qu’é mais barato!!

É qu’o “trabalho”
É muito stressante,
E há que fumar um “gigante”
Enquanto malho!!

Aqui dá-se no duro,
Não é como no vosso sector!!
Estás a ver-me aviador
A voar no escuro?

A esses grevistas
Que não fazem Nestum!!
Eu queimava-os um a um
Por sindicalistas!!

Mas hoje é celebração
E fogo só d’artifício,
Qu’isto parece um comício
Da coligação!!

Amigos à frente!!
É o nosso lema,
E só tenho pena
De ser tanta gente…

Qu’isto pr’a gerir
Já lhe perc’a conta,
E da malta que desponta
Tenho que nisto dividir!!

Mas que grande enchente
Aqui vai no bar!
S’isto foss’a pagar
Quem se chegav’a frente?

O que me safa
É qu’a mercadoria é barata;
É quase meia-pataca
A safra!

E ainda que gratuita
A festa sai-lhes cara,
E isto não se declara
Em factura!

Como ia ter lucro
A encher mamões,
E metê-los nos aviões
Sem troco?

E a vivenda
Ía pagá-la a pronto,
Se nisto dava desconto
De renda?

Até o diabo se ria
Qu’o aniversário,
Fosse deficitário
Ao nascer do dia!

E no dealbar da manhã
Não se fizessem contas,
De somas redondas
De gente em afã!

Eu quero mais um!
Quanto é o vermute?
Não há outro azimute
De rum?

Há, mas é mais caro,
Qu’o producto é top!
E esgotas o stock
Dum sabor tão raro…

Eu pag’o preço!!
Manda vir mais uma!
Eu pago tal fortuna,
Mas mereço!!

Sai uma especial
De corrida,
Da melhor bebida
Pr’o meu pessoal!!…

Isso eram tempos
Duma grande pândega,
Mas que hoje abranda
Noutros contratempos…

Quanta saudade
Da praxe das fotos,
E os meninos, tortos
Em sobriedade!?

E o alto negócio
Ali ao balcão,
Ond’a transação
Se tinha em depósito!!

Ah, que belos tempos,
Desse “Cotton club”!
Aquilo é qu’era um Hub
Em tantos movimentos!!

Mas hoje a festa
Já não tem expressão,
E há uma consternação
Funesta…

Vai-se festejar
O aniversário,
Mas já não há erário
Pr’a se não fechar…

Joker

malta-caracas

Posted on 18 de Novembro de 2016, in Palhaçadas. Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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