Monumentos

Queriam um país-exemplo
Com tal nível d’educação,
Onde serve a corrupção
Como um monumento?

Uma estela, um altar,
Ao nível do nosso povo!
Qu’inculto se quer de novo
A navegar?

Ergamos-lhe um obelisco,
Ou um arco do triunfo!!
Qu’este povo é um prenúncio
Que não passa disto!!

Se nem se governa
Ou se deixa governar,
Nele só pode ganhar
Quem lhe pass’a perna!!

Esperto é o qu’enriquece
No sistema mais corrupto,
Porque dele é o saber mais culto
Que nunca s’esquece!!

Um povo com esta dimensão,
Virado par’o atlântico,
Só podia ser tirânico
Na sua solução!!

O saudosismo é apanágio
Dum povo qu’é salazarento,
Porque só ele deu sentimento
Ao nosso naufrágio!!

Soldado desconhecido
Que morreste em tanta guerra,
Olh’ó país que descerra
A placa do teu jazigo!!?

O exemplo do Português
Lá fora como benquisto;
E aqui que só temos disto
Em tanto “burguês”!?

“Barões” que compram títulos,
E outros fartas moradias,
Porque deles vinham as famílias
Na forma de discípulos!

Tanto negócio import/export
Do nosso espirito comercial,
Que nada fica em Portugal,
A não ser o dote!!

Ergamos-lhe um epitáfio
No alto do seu mausoléu:
“O povo que já viu o céu
Do seu cenotáfio…”

Ergamos uma esfinge,
Não a João, ao Adamastor,
Porque dele se tev’a dor
Qu’agora nos atinge!!

E escrit’a Mensagem
Na veia do grande poeta,
Se visse com’a maior peta
Da nossa coragem!!

Ou Os Lusíadas de Camões
Com’um engano curricular,
E em tanto verso singular,
Outras tantas desilusões…

Ele que morreu esfaimado
Na “Pátria dos valores egrégios”,
Pr’a se manter em privilégios
Tanto “ilustrado”!!!

E agora essa nobre raça
Desemboca neste grande país,
Qu’assim guarda a sua raiz
Na própria desgraça!

E venha D. Sebastião,
Das brumas para nos salvar!!
Qu’o resto vai daqui cavar
Como emigração!!

Desgraçada nação
Com tantos exemplos áureos,
E sempre os mesmos perdulários
A terem razão???

Não há depósito d’esperança
Pr’a raça que não se governa,
Qu’até o homem da caverna
Tinha maior confiança!!

É vê-los nesses lugares
Sem se perceber o porquê!?
E o país queria-se em quê,
Senão em altares?

Venha de lá a extrema-unção
Qu’eu sou nisto religioso,
E até me confesso zeloso
Nesta confissão!!

Eu creio na Santa Igreja,
E nos santos deste altar,
E sei que tenho que jejuar
Porqu’a alguém sobeja!

E sabendo-os ungidos
Na sabedoria milenar,
Portugal não irá parar
Em tantos séculos perdidos…

Faça-se o monumento!

Joker

mensagem

Do mar que espelhou o céu???

Posted on 20 de Outubro de 2016, in Palhaçadas. Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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