Estatuto

Sei qu’o melhor estatuto
Qu’aqui podemos acarear,
É de nisto “colaborar”
Minuto a minuto…

Assim podemos acumular
Aquilo qu’outros não têm,
Voar como mais ninguém,
Quase sem se folgar…

E assim no final do ano
Não podendo nist’as gozar,
Ter que se lhas pagar
Com’a um miliciano!

A gestão da boa casa
Tem informal estatuto,
E tod’o colaborador astuto
Já duplic’a asa!!

O “ajudar a empresa”
É a nova sigla,
E qu’isto prossiga
Já não é surpresa!?

E nisso se tem
Um estatuto especial,
Porqu’o recurso é normal
Pr’a quem vale por cem!

E nisto se regista
Benditas excepções,
Porqu’as compensações
Não são fogo-de-vista!!

Informal é o estatuto,
Mas já não em “diploma”,
E assim se faz a retoma
Do trabalho arguto!!

Não há estatuto idêntico
Com diferentes critérios,
Porque nist’os homens sérios
Já promovem o aumento!?

E tod’a justificação
É a “disponibilidade”,
E o critério da equidade
Apenas por remissão…

A voo e a troca
Pr’a esses é certo,
E o que resta em aberto
Também já s’o topa!!

E julgam qu’os demais
Andam nisto cegos,
E que não denotam em tais egos
Direitos a mais!?

Se pretendem esconder
Tais incongruências,
Saibam que maiores são as ingerências
De quem os está a ver!!?

Se julgam que moralizam
Com paliativos,
Mantend’os mesmos crivos
Só nos agudizam!!

Não há crença ou respeito
Em quem assim trabalha,
E nist’o sistema falha
Por se dar o jeito!

Ninguém tem confiança
Em processos ínvios,
E a falta de princípios
Muito menos alcança!

As regras d’excepção
Nisto se fomentam,
E estes só acrescentam
A descriminação!!

Só há uma solução
Pr’a esta realidade:
Criar-se a orfandade
P’la migração!

E mudar a relação
Dita profissional,
Tirando de Portugal
Tal planificação….

Acabando c’a réstia
De cumplicidade,
Acabar c’a iniquidade
Por falta de modéstia…

Ter na mesma balança
A mesma massa de gente,
Pr’a se fazer diferente…
Não é dar confiança!!

Que por muita vontade
De quem agora gere,
Há gente que se quer
Na mesma clandestinidade!

E que vão boicotar
O trabalho alheio,
Porqu’o seu meio
É o de “colaborar”…

Não têm ordenamento,
Nem outra cultura,
Porque isto perdura
Desde há muito tempo!

É quase pré-histórico
O nosso megalitismo,
O que é um eufemismo
Escultórico:

Homens das cavernas
Que pintam nas grutas,
Pr’a pescar as trutas
E caçar as renas!!

Usam pontas de sílex
Da arte mais litica,
Porqu’a pedra é mítica
No seu modelo símplex!

E nisto partem pedra
Nos tempos modernos,
Porque se têm eternos
Na pretensa regra!?

E como neanderthais
Tiveram-se evoluídos,
Porque caçavam com rugidos
Guturais!

E dava-se a evolução
Para Cro-magnons,
Porque emitiam sons
De nomeação!?

Chegados ao sapiens
O método er’o VIP,
E vingav’a estirpe
Das maiores “viagens”…

Sempre mais distantes
E mais delongadas,
Passavam jornadas
Como viajantes!!

Mas só pr’a ajudar
Na “evolução”,
Qu’a sua propagação
Veio confirmar!!

Qu’o meio-ambiente
Não lhes resistia,
E o sapiens crescia
Um passo mais à frente!!

E a afirmação
Desta nova “raça”,
É qu’o tempo passa
E não há mutação!!

Vingou pois o animal
De coluna erecta,
Qu’é postura mais correcta
Em tod’o espaço sideral!!

E no desenvolvimento
Do seu polegar,
Pode pois contar
O seu “cumprimento”!

Ao inventar a soma
O homem é moderno:
Invent’o Inferno
Pr’a salvar o dogma!!

E nisto evolui
Até à nossa era;
O mundo é uma esfera
Mas ninguém o intui!?

Quase morre Galileu
Pr’a defender a tese,
Mas em tal antítese
Só m’interess’o meu!!

E faz-se a Reforma
Pr’a dividir a renda,
Porqu’a alma s’encomenda
Na mesma redoma!

E find’o pecado
Da carne e do espírito,
O mundo empírico
É o nosso primado!!

Vinga quas’a lei
E os direitos do cidadão,
E o mundo em revolução
Já não tem um Rei!!

Mas no materialismo
Dito de Marx,
Dá-se a metástase
No nosso “humanismo”…

E ao homem clássico
Não ving’a cultura,
E a lei é escura
Como no jurássico….

Mas reabilitado
Esse homem novo,
O “poder do povo”
É nisto tomado!!

Há um novo culto
Que não é o “Deus”,
O que pr’os ateus
É um novo insulto:

Ving’o cifrão
Por valor absoluto,
E o homem mais culto
É quem o tem na mão!!

E chegados a Orwell
E ao vigésimo século,
Ving’ó próprio reco
Como já vingara Cromwell!

E na metamorfose
Do niilismo de Kafka,
Ving’a mesma raça,
Mas já por osmose!!

E na nova era,
Do homem-animal,
O producto final
Não é uma quimera!!

É a consagração
Do modelo evolutivo,
A que Darwin deu crivo
Na sua explicação:

O Homem como bruto
Tem traços d’animal,
Mas da evolução natural
Terá também um estatuto!

🙂

Joker

manevolution

Posted on 18 de Outubro de 2016, in Palhaçadas. Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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