Filhos d’algo

Nas regras de poder
A família tem peso,
Porqu’a escolha, ao caso,
É pôr o filho a suceder!

É a regra ancestral
Do morgadio,
Que nunca desapareceu
Da cultura em Portugal!

As relações d’equilibrio
Privilegiam a “nobreza”,
E a essa class’a certeza
Em tal domínio…

É a regra do poder
Qu’ao mesmo se dê continuidade,
E nas relações de familiaridade
Tudo se suceder!!

Não é exclusivo deste burgo
Qu’o poder seja de uns quantos,
Nos governos ou bancos,
Já o “legislara” Licurgo

É só atestar
Quem é quem ou quê,
Que se sabe o porquê
Deste modo d’estar!!

Essa instituição
Do filho d’algo,
Lá os põe a salvo
De tod’a “revolução”…

Qu’a continuidade
Do “Pater famílias”,
Dá-lhes garantias
Mesmo na conflitualidade!

E tudo se delega
Às gerações seguintes,
Nos mesmos requintes…
Menos aos servos da gleba!!

E o estatuto familiar
É a garantia absoluta,
Que não há crise ou luta
Qu’os faça resignar!!

E essa instituição
Da “cunha” e “família”,
Junto com a “homília”,
É a nossa nação!!?

E assim os eleitos
Põem-se na formatura,
E o país abjura
Os antigos feitos!!

Que sem se renovar
A força do mérito,
O Portugal do pretérito
Jamais irá navegar!!

Mantêm-se os podres
Das relações sanguíneas,
E nas descendentes linhas
Serão esses os “nobres”…

E a vida prevalece
Neste imobilismo,
A que só o romantismo
Dá prece!

Como s’a virtude
Da própria sociedade,
Foss’a propriedade
De que nada mude…

Porque há que manter
O legado d’eras,
E fantasiar quimeras
Pr’o poder manter!!

E assim a descendência
D’antigos “fidalgos”,
Nisto estarão salvos
Em permanência…

É atentar os apelidos
E as suas origens,
E entender que virgens
Só nos ouvidos…

É isto que temos
Como força-motora,
E nunca antes como agora
De somenos…

E se não há estrangeiro
A dar o seu nome,
Tudo passa fome
Na falta de dinheiro…

Só isso nos serve
Pr’os tempos futuros,
Qu’os mesmos serão duros
Para tanta plebe…

Sim, qu’os filhos d’algo
Já negoceiam as jóias,
E vão-se nas tipóias
Já meios a salvo…

E quem dá o peito
Pr’os tempos agrestes,
São os magarefes
Que se põem a jeito!!

Porque nist’a família
Só preserva os seus,
E esses plebeus
Valem menos qu’a mobília…

E tudo já ao largo
Mantendo privilégios,
Nos valores egrégios
Nisso não me salvo!!

Porque esse hino
É de só uns quantos,
E não são assim tantos
Que mereçam o pleno!

É assim o poder
No qu’ele afunila,
E nist’a família
Tem vind’a crescer…

E o pequeno país
É o reflexo do mundo,
Pois qu’o poder profundo
Nunca perd’a raíz…

Joker

unknown

Posted on 8 de Outubro de 2016, in Palhaçadas. Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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