A queda dum anjo

Desde tempos imemoriais
Qu’a História é imperial,
Não como governo ideal,
Mas pr’os registos factuais…

E hoje dia solene,
Também se fez História,
Como um dia de pura glória
Por motivos de “higiene”!

Há limpeza aqui ao lado
De anos de sujidade,
Sem motivos de saudade
Dum só culpado!!?

Outros jazem emporcalhados
Na réstia de porcaria,
Mas quem sabe nisto um dia
Também serão julgados?!

Tenhamos pois fé
Em novos tempos de mudança,
Pois quem a tem, tem a esp’rança
Daqueles que morrem de pé!

Qu’os pequenos que esmagava
Na ponta da sua biqueira,
Foi nist’a razão primeira
De que disto não se salva

De bispo a mero acólito
Vai tod’a uma pregação,
E ele pass’a homem-de-mão
Dum outro santo-católico!!

Perdeu a cor violeta
N’ostentação dos seus trajes,
E de muitos anos d’ultrajes
Agora quer-se anacoreta!!?

E outros, pequenos curas
Da mesma freguesia,
Não rejubilam em alegria,
Mas sim em meras conjuras…

Que volta em meio-ano
Mas já para cardeal,
E leva pr’o paço episcopal
O seu maior puritano!!

Qu’agora muito doente,
Quase não se tem em si,
E tod’a cúria se crê
No albigense!!?

Fez-se história na Igreja
Pela queda desse crente,
Que não sendo maior gente,
Ainda tem quem o proteja!!?

E se não é excomungado
Pela prática do perjúrio,
É porque tem nisto augúrio
De “bom” prelado!!

Mas os caminhos do Senhor
São mistérios insondáveis,
E esses votos renováveis
De puro “amor”

Vai zurzi-los na capela
Nessa prece d’esperança,
Pois quem espera sempre alcança
Na vez d’ela!?

A Maria Madalena
Que nisto se ponh’a pau,
Porque subido tal degrau
Já não lhes é digna de pena

Pois agora tais acólitos
Já preparam novas missas,
E dos mundos das cobiças
Já não há santos-apostólicos!!

É chegado outro advento
Na voz d’outro evangelho,
Porque este mundo já velho
Ainda pode ir dentro…

E niss’o registo histórico
Tem prova que nela abunda,
Pois tod’a chusma é fecunda
No imperativo categórico!

Essa premissa d’ética
Da nossa régia sabedoria,
Motivo de tanta alegria
Profética!!?

E agora na incerteza
Doutros tempos, doutras eras,
Já se notam por quimeras
As premissas da esperteza…

E os protectores de tais santos
Que caídos do altar,
Podem nisto perorar
Em novos salmos e cantos?

Ou vão chorar a incerteza
Duma salvação terrena,
S’a condenação for eterna
Pr’a chico-esperteza?

E agora que vai o bispo
Podem ir outros prelados,
E nisto serem trocados
P’lo Papa Francisco!?

Ui, o que aqui vai de sotainas
Nesta praça de São Pedro!!!
A Roma chegou o medo
P’lo fim das comezainas!!!

Onde se vai pois ter o pão
E o vinho da eu(carestia),
Se ficam de barriga vazia
Por causa da tentação?

Se da cardinalícia reunião
De lá sair fumo branco,
Tenho por fé outro tanto
Qu’o Papa vai pr’a Avinhão!

E mudam-se as relações
Informais dessa Igreja,
E qu’o mundo da fé se veja
Tomado doutras religiões!!?

Eu creio na santidade
Do reino que aí há-de vir,
Pois só de nisto ver partir
Esse santo da cristandade

Tenho fé nesse outro credo
Qu’aí vem dessa Reforma,
E o respeito p’la norma
Não me dará medo!!

É um momento de registo
Nos anais da humanidade,
Pois que para esta cristandade
Só agora chegou Cristo!!

E recomeça a contagem
Da História como ciência:
É o fim da “inocência”
De quem agora segue viagem...

Joker

queda

Posted on 30 de Setembro de 2016, in Palhaçadas. Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s