Salvo-conduto

Depois da rábula do visto
Vem a do passaporte,
Pois o nosso homem-forte
Não contava c’o imprevisto!!…

E quem tudo quer e pode
Faz a política de fronteiras,
Coagindo de tod’as maneiras
Quem obedece por pobre…

Mas não conformada
P’la ameaça,
Descobre-se a trapaça
Na porta d’entrada…

Qu’o tinha perdido
Na versão “oficial”,
E aqui de Portugal
S’o tinha expedido…

Mas ao passaporte
Lá ninguém o viu,
Porque se coagiu
A voar à sorte!!

E lá nessa entrada
No país-irmão,
A declaração
Foi corroborada!?

Falsas declarações
Lá nessa fronteira,
E uma escala inteira
Em contradições…

E comunicado
O acontecimento,
Tem-se o documento
Já de si trocado!!?

A declaração
Do nosso homem-forte,
Que sem passaporte
S’entra no país-irmão!!?

E assim s’executa
A nossa diplomacia:
Basta de burocracia
E de pesada multa!!

Lide-se c’o estrangeiro
Com sentido prático,
E em vez do burocrático
Um projecto brasileiro!

Uma declaração
Do nosso homem-forte,
Vale tod’o porte
Mesmo sob coação!

E n’ameaça
Dum novo processo,
Emite-se novo impresso
Que na fronteira passa!!

Ele o assegura
C’o seu salvo-conduto,
E obriga o outro
C’a sua assinatura!

E na exigência
De falsas declarações,
Há mais nomeações
Na ocorrência!!

E assim se faz
A política da casa,
Qu’isto só se passa
Porque ele é capaz!!

E porque tudo faz
Enquanto ainda está,
Do toma-lá-dá-cá
Ainda é capaz!!

Venha pois a hora
Da grande limpeza,
E se dê outra clareza
Que já nos demora!!

Venha o sistema
Que não nos desacredite,
E se faça o desquite
De forma plena!!

Fora c’os corruptos
Do velho registo:
Do passaporte ao visto,
Por seus salvo-condutos!!

Já ninguém se crê
Em tal sistema,
E em tal alma-pequena
Qu’isto não “vê”!?

Quem nisto acredita,
Máquinas ou pessoas?
“São pois tod’as boas,
Mas o dinheiro não estica…”

“E muito se faz
Com tão poucos meios,
E com tantos anseios
Quem de mais é capaz?”

“Por isso enganar,
Por dolo ou coação,
Tem tod’a explicação
Pr’a se pôr no ar…”

“E o que é o país
Ou um seu Ministério,
S’o interesse do hemisfério
Está no que ele diz!?”

“E vind’o exemplo
Daquela chefia,
Quem nisto porfia
Já tem um aumento…”

Joker

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Posted on 26 de Setembro de 2016, in Acções, Acordos, Assembleia da República, Governo, Normativos, Outras Entidades, Poesia, Política, Portugal, Terrorismo, Tratado Europeu, União Europeia, Viagens. Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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