O “Bordalo”

Era “Bordalo” poeta
E tinha Pessoa por próximo,
Que todo e qualquer heterónimo
O citav’a letra!

Tinha d’Álvaro de Campos
Ou de Alberto Caeiro,
Um registo de letreiro,
Só como exemplos…

Mas da localidade
Se tinha “esquecido”,
Donde era nascido, (em)
Lisboa por cidade!!

Que na ignorância
De me ver Pessoa,
Disse-me ser eu o de Lisboa
Em tal petulância!!

Tinha-m’o “Bordalo”
A “invectivar”
Por ser desse lugar…
Dá-me cá um abalo!!

E ser equiparado
A Fernando Pessoa,
Sendo de Lisboa…
Que lugar sagrado!!!

Não mereço tanto
Ó caridosa alma,
Que com essa fama
Não é senã’o espanto

Pois de ver Pessoa
Nist’a ser citado,
Nesse outro lado
Duma vida boa…

Que justificando
O que se justifica,
Tudo clarifica
Não s’o mencionando!?

Nem se compreende
Qu’em grande tamanho,
Tod’o seu engenho
É o qu’a vista entende!?

É grande em altura
Mas maior na visão,
E dá-nos tanta explicação
Pr’a onde s’aventura!?

É tudo normal
Na visão do poeta,
Que tal destin’o tenta
Só por residual…

Qu’em tanta mensagem
Dum valor de troca,
Tud’o que lhe toca
Já produz imagem!!!

E ele é maior
Pois qu’a sua altura,
E o poeta assegura
Ser maior “aviador”!!

E se assim se tem
Pois que bem qu’o seja,
E só agora se veja
Como ninguém!?

Tanta informação
Pr’a nos informar,
Qu’o verbo “trocar”
Também dá visão?

Não t’expliques tanto
Qu’eu estou a entender:
És tão grande a ver,
Mas maior por santo!!

Joker

Rafael-Bordalo-Pinheiro

Posted on 29 de Maio de 2016, in Palhaçadas. Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s