Lei, Direito e Trabalho

Tod’o Homem é igual
À luz do Direito,
Mas a força do preceito
De cariz constitucional

Esbate-se na realidade,
Na força dos factos,
E há fortes e fracos
Nesta sociedade…

Na circunstância
Da vida ser o que é,
A Lei tem-se a fé
De tal ignorância!

Não há igualdade
No devir humano,
Porqu’ao “soberano”
Importa essa faculdade!

E o acto coercivo
Por potencial,
Não é em si igual
Quando punitivo!!

Há nisto diferenças
Em razão do alvo,
E tod’o “grande” é salvo
Das maiores sentenças…

É assim a vida
Na sua acepção,
E a Lei é a menção
Dessa contrapartida…

Como um lenitivo
A Lei cria torpor,
E só nos tir’a dor
Do processo cognitivo…

Que na realidade
A Lei é utopia,
E a sociedade vazia
De tod’a igualdade!

Ninguém se quer igual
Em riqueza e direitos,
Pois não há proveitos
Em se ser o tal!?

Esse que desponta
Por cima dos demais,
Vai viver sem mais,
No poder de compra?

Esse que viola
Tudo quanto é regra,
Vai viver da entrega
Sem dar a cabriola?

Há maior igualdade
Qu’a sede d’ambição,
Onde todos estão
Por similaridade?

E quem nisto ganha
Sem a meios olhar,
Pode-se igualar
A quem não s’amanha?

Há correspondência
Entr’o “vencedor”,
E um “perdedor”
Em tal “sapiência”?

O que vis’a Lei
Pois senão a força,
Mas que ninguém me ouça
A dizer qu’o sei!!

E se sou “patrão”
Por mera circunstância,
Faço dessa militância
A única visão!!

E sendo “colega”
Finjo não o ser,
Pois qu’estou ‘aprender
A viver na “regra”!!

E se vejo Direitos
A serem violados…
Sei-os recomendados
Sem maiores defeitos!!

E sem “vencedores”
Não havia resultados,
Que são compensados
Como “cumpridores”!!

E fazer da Lei
O maior obstáculo,
É o seu sustentáculo
Pr’a manter a grei!

E assim viver
Como um capataz,
Qu’ele “bom rapaz”
Na Lei se fez crer!!

E por bom “amigo”,
Sempre sorridente,
Da Lei nos convence
Ser algo permissivo…

E dos sindicatos,
Nem os ouvir falar!?
Só tratam d’empatar
Em acordos fracos…

Qu’ele lá pujante
Na razão da força,
Tom’a Lei por troça
Mesmo tripulante!?

Só a razão do facto
Lhe é relevante,
E se houver mais gente
Que viol’o pacto

Pois tanto melhor
Qu’isso é que lhe vale;
E quanto mais se cale
Mais ganha em “pudor”!

Pois qu’o dinheiro
Vale mais qu’a Lei,
E mantendo a grei
Mantém-s’o poleiro!

Qu’o velho axioma
Desse vil metal,
Nunca nos cai mal
Se dupla é a soma!!

Há pois que manter
O estatuto alarve,
Que nunca se sabe
Quando s’o vai perder…

E se niss’o Direito
É um empecilho,
Arma-se o “gatilho”
C’a Lei tem defeito…

Joker

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Posted on 9 de Maio de 2016, in Palhaçadas. Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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