O pequeno-corrupto

Tod’o homem tem um preço
Na verdade da ambição,
E sej’ao tostão ou milhão
Isso é simples adereço

E o meu maior desprezo
Não é por quem se vende por mais,
Qu’eles não são todos iguais
Na razão do meu averso

É o mais pobre qu’ofende
Por se vender por tuta-e-meia,
E nisso criar cadeia
Como cliente…

Lá se basta c’o voo,
C’o essa certeza de vida,
E se se vende por “comida”
Nisso mais enjoo…

Na razão mais comezinha
O corrupto lá tem preço,
E na relação tem-se ileso
Porque já faz panelinha…

E pede pouco em troca
Pois a vid’a todos custa,
E recebendo não s’assusta
Nessa marosca…

Mas descoberto
Nessa relação corrupta,
Levant’a culpa
Como tod’o esperto!!

Qu’ele não o fez,
E que não entende,
Porque s’o prende
Só por “uma vez”!?

E isso é crime,
Favorecer?
E sem “nada” receber
“In limine”?!

O pequeno corrupto
É o pior,
E por moralizador
É astuto!!

E nisso incentiva
A ser-lhe igual,
Pois é natural
Qu’a “todos” sirva!!

E no pequeno negócio
Já lá se dispõe,
Porque tudo isso compõe
O seu “sacerdócio”

Tenho mais asco
A quem pede menos,
E ganhando os plenos
Tem um tasco!!

Não a coisa em grande,
Uma coisa de nível,
Mas algo de sofrível
Em qu’ele mande!!

O pequeno corrupto
É menos inteligente,
Pois em tanta gente
É curto…

De visão,
Nessa presunção,
Que não dá prisão
A pequena-corrupção!?

E nessa clientela
De pequenos-corruptos,
Já acusam outros
Pr’a livrar-se dela!??

E nisso fingidos
Já fogem por ratos,
Sonegand’os factos
De quase-arguidos!?

E só nessa data
N’audição do processo,
O mundo vira do avesso
Por meterem a “pata”!!

E aí dão-se conta
Qu’o favorecimento,
É todo um argumento
De monta!!

Mas quando convidados
A fazer o jeito,
Não lhe viam defeito
Por beneficiados!?

O pequeno-corrupto
Dá-me tanto asco,
Que nem com Tabasco
Ingiro tal “producto”…

É duma insignificância
No pequeno benefício,
Que não vê artifício
Em tal circunstância…

E tinha por normal
Tê-los ele sempre,
No meio de tanta gente
C’o residual…

O pequeno-corrupto
É pois um anão:
Vende-se ao tostão
Por pouco…

E sem a agravante
Fica na fronteira,
E não vai de charneira
Na condenação humilhante…

Nem pr’a isso serve
O pequeno-corrupto,
Pr’a ser preso é curto
E pr’a
bandido, leve!!

É pequeno-corrupto
E nunca vai a bandido,
Que tem que se ser crescido
Pr’a ter esse estatuto!!

É um miserável
O pequeno-corrupto,
Dá um passo curto
Mas já é indispensável…

E na pronta engrenagem
O pequeno-corrupto,
Faz de tudo um pouco
Por “camaradagem”!!

É assim conviva
Pr’a alegrar a malta,
E já nada lhe falta
Nessa malta amiga!

E tê-lo por casa
Dá ao corrupto jeito,
Qu’ele faz bem feito
E nunca s’atrasa…

Claro qu’o corrupto,
Aquele dos milhões,
Também me dá comichões
E extremo insulto!

Mas o pequeno-corrupto,
O que tant’os critica,
É o que mais pontifica
No país, por culto…

Joker

salon-corrupcao-slide01

Posted on 3 de Maio de 2016, in Palhaçadas. Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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