Avé César!

Júlio César, Tribuno
Da Romana República,
Tomou da arte bélica
A pretensão de ser uno!

Que ser um General
Dessas Legiões de Roma,
E conquistar uma a uma,
As nações pr’o Quirinal

Não chegava pr’a lhe dar
O epíteto de “Imperator”,
Qu’ele se sabia o melhor
E em Roma sem ter par!

Por isso lá marchou
Passand’o Rubição,
E c’os dados na mão
Sobre Roma s’apossou!

Aí morreu a República
Desses grandes do Senado,
E a instituição do passado
Fez-se apenas pr’a ser lúdica…

Doravant’o Imperador
Tomou as rédeas do poder,
Mas tinha César de morrer
Pr’o seu culto adorador!

E na memória da História
Ser-se César é poder,
E o seu culto faz crer
Uma religião de tal glória!

E na vanguarda da lição
Ser-se César dá cariz,
Mas o Imperador tem raiz
D’usurpação!?

Na confusão de conceitos
Há quem tome qu’o ser Júlio,
É sinónimo de pecúlio
E mais direitos!?

Só pode ser da função
Qu’essa apostasia lhe deu,
E o Imperador estar no céu
Cheio de razão!?

E nesse pessoal culto
De ser César um Deus,
Os Romanos são os Hebreus
Em tal tumulto!!

E só um “Bruto”
Lhes fez Justiça,
Que quando toc’a liça
Só vai o outro…

Executado o tirano
Às mãos do herói,
Eis que se destrói
Outro mito urbano…

E já não é “Bruto”
O endeusado…
E executado
Baix’o tumulto!!

Sobressai Octávio
O novo César,
E em tal lugar
Júlio fica sábio!

Torna-se Augusto
O grande Imperador,
E faz-se adorador
De César em busto!!

Na religião
Tem-se novo “santo”,
E César cria espanto
À sua conversão!

É pois adorado
Nessa célebre data,
E Júlio nunca escapa
Aí a ser relembrado!!

E quando cheg’o dia
Da sua adoração…
Jesus, quanta precisão
D’enciclopédia!!!

É sempre no Natal
Qu’o Imperador s’adora!
Qu’o resto d’ano labora
Lá no Quirinal!

E nessa colina
Faz a sua governação,
E ao Império a expansão
Nunca termina!

Qu’ voo das aves
Deu bom augúrio,
E não há martírio
Em voos mais “suaves”…

É pois feriado
Sempre qu’o César voa,
Qu’a vida boa
Só dá a dobrado!

E um Imperador
Tem tudo à mão,
E em qualquer estação
Vive melhor!

E ainda mais “santo”
Que Jesus Cristo,
Quem vê lá nisto
Um triste manto?

Tanta data festiva
No culto de Júlio,
Qu’o Natal é monopólio
De César, por prerrogativa!!!

🙂

Joker

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Posted on 3 de Maio de 2016, in Palhaçadas. Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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