Comichão

Se alguém me perguntasse
Se prefiro não agir,
E se fingindo não ver,
A vida continuasse?

Lá diria que não posso
Viver no fingimento,
Que tudo isto é aumento
Daquilo que é nosso!?

Se tal discriminação
No mesmo s’indicia,
Quem é que nisto não queria
Esta Comissão?

Com força para agir
De modo institucional,
Qu’uma Assembleia Geral
Decidiu não transigir!

E da luta individual
Do ideólogo da equidade,
E que só ele, em verdade,
É a bandeira desse ideal

Passámos à vontade
Do colectivo,
Porque em tal amigo
Só vi hombridade!!

E não pude fingir
Em tal coragem e força,
Qu’a luta esmoreça
Porque não quis ver…

E lá o segui
Em tão grande exemplo,
Sem o abatimento
No muito que vi…

Só o nojo, a revolta
Em tal evidência,
E a conferência
Disto não ter volta!?

Só pode ir em frente
Nesta Comissão,
E não haj’a tentação
De desculpar tal gente!?

Não é o pessoal
O que nos motiva,
E isto que sirva
Ao sistema ideal!!

Que cumpra critérios
Estritos d’igualdade,
E em tal exequibilidade
Não haja mais “mistérios”

Seja transparente
O sistema automático,
E que tod’o esquemático
Nele esteja ausente!!

E o que se apurar
De práticas de crime,
Qu’alguém lhes ensine
Como s’as pagar!!

E s’existir pena
Em tal condenação,
Seja da “Comissão”
A medida mais pequena…

Que não s’a comute
Por compreensão,
Mas a “reabilitação”
O sistema adopte!

E se faça Justiça
No que for possível,
Qu’isto por incrível
Ainda mais s’atiça!?

Os prevaricadores
Fingem não o ser,
E ainda tentam vender
Os seus “bons humores”

A toda uma classe
Nisto bem enganada,
Como se tal “jogada”
Não se lhes acabasse!

E rindo de todos
Em descarada troça,
Ainda têm quem os ouça
Nesses “bons modos”!?

Não se personifica
Esta “santa” luta,
Mas perante tal conduta
Quem é que se fica???

Quem não se sente
Diz-se na minha terra,
É quem nisto erra
Por não ser boa gente!!

Em flagrante delito
Foi o tal agarrado,
E ainda se faz rogado
Por se ter aflito?

Vai ser impessoal
Esta luta “santa”,
Mas quem nisto canta
Por lhe dar igual

Tem por mim estatuto
Não d’arrependido,
Mas de protegido
Em negócio astuto

Pois quem fala d’alto
Perante tanta evidência,
Presume-se em inocência
No producto do assalto?

Tem a Comissão
Muito com que lidar,
Mas já está a causar
Franca comichão…

Pois qu’a competência
Desse seu mandato,
Não se faz num acto
De suma dependência…

E não sendo um grupo,
Tem autonomia…
E haja quem se ria
No seu tempo…curto!!

Joker

Robert Burch illustration coceira

Posted on 20 de Abril de 2016, in Palhaçadas. Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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