O “bom” selvagem

Ninguém nasce corrupto,
Na tese do “bom selvagem”,
Pois que só por amostragem
O Homem é bruto!

Nascemos bons
Diz-nos Rousseau,
E quem nos adulterou
Nos nossos dons

Foi a sociedade
Em si corrupta,
Que lev’a c’a culpa
Na sua não-identidade!

Como s’a corrupção
Fosse fenómeno,
Não em si endógeno
Por afirmação!!

E não se explicasse
Porqu’um é corrupto,
E não um outro
Que não se vendesse!?

Como s’a sociedade
Por fenómeno colectivo,
Fosse nisso opressivo
Em tal mentalidade!

E o que nos explica
Essa veia criminosa?
Não a génese dolosa
Em qu’a humanidade é rica?

Apenas a oportunidade
Na acção do crime,
Que nisto se define
Tal humanidade?

Somos em potência
Todos criminosos,
E em nada culposos
Por mera aparência?

O que aqui nos move
Por “imperativo categórico”,
S’o viver é alegórico
Daquilo que nos coube!?

É a força moral
Que vinga sobr’a génese,
Ou é esta “metastáse”
A corrupção natural?

O que aqui nos tem
Como referência?
É apenas a suficiência
Que nos traz ao “bem”?

E sem a sobrevivência
Só o instinto animal,
É a condição do “mal”
Pr’a nossa inocência?

Somos o “bom selvagem”
Ou o espectro da maldade?
Gente a qu’a sociedade
Corrompeu na coragem?

Ou tão só o desígnio
Deste Deus caótico,
Que se tem atónito
No seu creacionismo?

E no arbítrio-livre,
O pendor da vida,
Tanto mais sofrida,
Quanto menos serve?

E na interna luta
A difícil decisão,
Optar p’la corrupção
Ou p’la “boa” conduta?

E s’o mal é “menor”
Nem se vislumbrar tal crime,
Porque não há quem lhes ensine
O sinal do valor!?

E nos pequenos actos
Uma grande teia,
E toda uma casa cheia
De “selvagens” inatos?

Que nesse conluio
Nem se deram conta,
De fazerem montra
Em tal benefício?

São todos “selvagens”
Nas boas intenções,
E nessas multidões
Viam mais vantagens!!

É a sociedade
No seu estado puro,
E o “selvagem” imaturo
Em corruptibilidade!

Assim é mais lógico,
Fazê-lo em multidão,
Qu’a organização
Dá sentido antropológico!!

E o “bom selvagem”
Do nosso Iluminista,
Ganha característica
De nova roupagem…

Veste-se esse índio
De civilizadas roupas,
E em vendas e compras,
Ganha latifundio…

E nisso avança
Na ânsia do lucro,
Qu’ele não quer pouco,
E alcança!!

E na oportunidade
De vender a alma,
Não perd’a calma…
Que está em sociedade!

E já negoceia
Sem saber limites,
E em tod’os convites
S’enleia!

Já perdeu a tribo
E tod’a floresta,
E já nada lhe resta
Do costume antigo!

Er’o selvagem bom
No primeiro Ser,
Mas pr’o corromper,
Só foi preciso mais um…

🙂

Joker

indio-corin

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Posted on 15 de Abril de 2016, in Palhaçadas. Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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