Telhados de vidro

Tenho telhados de vidro
Na voz do meu menino,
Qu’ele pequenino,
É grande de querido!?

E não posso jogar
Pedras no telhado,
Por ser procurado
Neste poetisar!

Não partiu um prato
A nossa criança!?
Viveu na abstança
Só feito gaiato!?

Não se porta mal
Comendo guloseimas,
E só em tais teimas
Sai de Portugal!

Muito viajado
Nesse mundo afora,
Cá nunca se demora
Por bem comportado!

É muito rabino,
Nunca pára quieto!?
E só fica completo
No Rio por destino!?

Ah, tanta maldade
Qu’eu tenho no corpo,
E s’o menino é “torto”
É da “equidade”!

Tenho no meu telhado
Tanto vidro partido,
Que estou profegido
Contr’o mau olhado!

E nessa charada
Cheia de sotaque,
Quase me dá um baque
Em tamanha gargalhada!?

“Telhados de vidro”
Diz cheio de celeuma!?
Tens uma vida plena,
E a razão contigo!?

Não te preocupes
Com os meus poemas,
Não passam de penas
Perto de tais truques!

Eu contigo troco,
Ficas tu o poeta,
E eu voo na certa
Ao destino louco

Lavras um poemeta
Enquanto eu desfilo,
E cheio de estilo
Toc’a pandeireta!

E fazes um livro
Cheio de palavras,
E eu francas jornadas
Naquil’a que sirvo!

Saber de letras
Do fórum romano,
Quando tod’o ano
O Rio quer cornetas?

Passam-se por cultos
Em grande saber,
E no saber escolher
Não passam d’estúpidos!?

Sejam como eu
De telhado aberto,
Qu’o céu está mais perto,
E se chover, choveu!?

Joker

  

Posted on 1 de Abril de 2016, in Palhaçadas. Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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