Menino do Rio II

Ai, meu rico menino,
Vāo marcar-te o passo,
Pois não há cansaço
Vist’a pente fino!

Tudo te reluz
Em tal Odisseia!?
E da rocha Tarpeia
Vais cair de cruz!?

É tip’o Corcovado
Da antiga Roma!
E dele cais em coma
Por sentenciado!

É pena capital
Qu’o Anjo nos dita,
Nāo faças mais fita,
Que nos dá igual!!

Na coincidência
De vida tāo pródiga,
Há toda uma lógica
Na mesma incidência!

Sempr’a tentaçāo
Do “crime” continuado
Como s’o Corcovado
Lá ficasse em māo!?

E nisso te tivesses
Por filho do Rio,
Tal é o atavio
Em que lá apareces!?

Seja Carnaval
Ou no fim-do-ano,
Já te tens ufano
Pr’o desfile anual!?

És caso especial
Só por seres artista!?
Uma espécie de corista
Da gala papal!!

Marca já a data
Par’os deste ano,
Vais dançar c’o abano
Trajado de beata!

Bela carapuça,
E que bem t’assenta!
Uma velha d’oitenta
Num corpo de russa!

A vida é um cabaret
No reino do “ar”,
E quem quiser bailar,
Não tem que saber ballet!

Pode pois sambar
As vezes que quiser!?
É saber viver,
Qu’o resto vem do ar!

E quem nisto viva
Sem passo de dança,
Foge-se-lhe a esperança
Doutra moda antiga!

Que só o artista
Saiba bem viver,
E um outro morrer
Sem fogo-de-Vista?!

Nem fogo d’artifício
Sobre Copacabana,
E ver pela rama
Apenas o solsticio!?

Puta que P*****!!
Que não sou artista,
Nem capa de revista,
Ou “Menino do Rio”!?

Joker

 

Posted on 1 de Abril de 2016, in Palhaçadas. Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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