“O português voador”

Saltam ratos do porão
Qu’o navio está ‘afundar,
E os que sabem nadar
Tomam pulso e coração!

E os que ficam nesse barco
Já s’afundam p’la boca,
Qu’a maré está revolta…
E o rombo é grande no casco!

Vai saltar o “capitão”
Antes do último rato,
E já s’abandon’o barco
Por falta d’otimização!

A mim! Grit’o cabecilha,
Pr’a salvar a própria vida!
Mas a tempestade enfurecida,
Já lhe montou a armadilha…

Tudo varre no convés,
Esses ventos de mudança!
E até voa o ordenança
D’arrojo pelos pés…

Grit’o mantra,
Clama a Buda!…
Lá o esper’a barracuda,
Por o saber que bem canta…

E lá ordena, o Imediato,
Que se fechem as escotilhas…
Qu’entra água nas orelhas
E isso é mau pr’o olfato!

É “militar” muito sério
Nas funções que bem governa,
Mas em tod’a aquela baderna
Nem lhe vale São Ermitério!

Tudo grita p’la vida,
Entregam a alma ao Senhor:
“Veja lá Sr. Doutor,
Qu’eu estava sem saída!”

A cadeia de comando
Já s’esbate nessa proa,
E até o “piloto” s’assoa
Aos sacos de contrabando…

Ai que perda de tal saque,
Por tanta pirataria!
E este barco, quem o diria
Pr’a abate?

Tem patente, diz de corso,
O “comandante” do “Hidra”;
Tinh’a balandra mais temida
Em tod’o médio e longo curso!

Volteava pelos mares
À procura de tais presas,
Qu’elas por si indefesas,
Eram aos milhares…

N’abordagem se gritava:
“A vida ou a bolsa?”…
E ainda há quem os ouça
A gritar: “À carga!”

Um amontoar de tesouros
Que nem o Barba-Roxa,
Que nada tinha de troxa
Nos seus barcos mouros!

Portanto é observar
Com’o vento Bóreas,
Leva estas glórias
Pr’o fundo do mar…

Ah, coitados,
E do que vão viver?!
S’até podem “morrer”
Afogados?

Vão falar aos peixinhos
Com’o Padre António Vieira?
E ouvir duma voz cimeira:
“Foram os 3 pastorinhos”!

“Eles qu’a rezar
Tiveram a revelação,
Qu’essa embarcação
Ia naufragar…”

Ohh! Que lástima,
Tanto inglório esforço,
Acabar como um destroço
De Fátima!!

Cham´o Ordenança,
Diz-lhe pr’a cá vir!
Sempre quero saber
Onde está o Mantra!?

S’até os “pastorinhos”
Têm maior fé,
Porque lá no café
Não puseram anjinhos!?

Ó meu “capitão”
O Ordenança sumiu!
Mas há alguém qu’o ouviu
A entoar a canção….

“Ohmmmmm”, penso eu,
A canção do mantra,
E qu’o mal espanta
Quando tudo é breu!

Ah, sim!?
Pois vê o resultado!!
E s’o Buda é achado
Aqui perto do fim!?

Vamos pois rezar
A Santa Teresa!!
E c’uma vela acesa,
Pois acreditar!

Ó meu caro “mestre”
Veja-me os rastilhos…
Não quero mais sarilhos,
Já me basta este!!

Esteja descansado,
Diz o marinheiro;
Não há no mundo inteiro,
Barco tão blindado!!

Ah, e este rombo?
Vai estancar a água?
E quem é que me paga?
O Conde de Redondo???

Não, não tenha receio!
Fal’o Imediato!
Vai ver qu’este barco,
Já navega, meio!

Larga-se-lhe as velas
Corta-s’o mastro,
Muda-se-lh’o rasto…
Isto é que vão ser elas!!

E já mais pequeno
Faz-se uma piragua,
E não há nisto água
Que não seja terreno!!

Ah, tenho esperança,
Vamos pois rezar!!
Um Ohmmmmm, a aspirar
Bonança!!

Ohhhhhh, rez’a chusma,
Enquanto barco afunda,
Lá se vai a balandra…
O barco fantasma:

“O português voador”

🙂

Joker

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Posted on 24 de Março de 2016, in Palhaçadas. Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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