Demosátrapas

São pois democratas,
Ultra-liberais!
Querem sempre mais
Aos outros, empatas!

E nisto prosperam
Em qualquer regime,
Que não há nisso crime,
Porque lá operam!

E s’a economia
Lá bateu no fundo,
Eles correm mundo
Em franca euforia!

Voltam ao local
E por lá são reis,
E com dez mel-reis
Fazem tudo igual!

Compram só à vista
Em dinheiro contado,
Que todo trocado
Dá fogo-de-vista!

E logo são ricos
Em tão vastas compras,
E correm às montras
Pr’a comprar penicos!

Tudo d’atacado
Mostram a esse povo,
Que tod’o Homem-novo
Tem o seu “el-dorado”!

E por oligarcas
Nessa terra pobre,
Têm porte de nobre
Por terem patacas!

Gozam pois à brava
Lá nesse sistema,
Qu’aqui se condena,
Por não valer nada!

De tanto cuspir
No prato da sopa,
Ostentam a roupa
A quem está a pedir!

E compram lá tudo
O que há de reserva,
Trazendo conserva
Na volta do mundo…

São ricos assim
Nessa congruência,
E nessa ingerência
Só falt’o “marfim”!

E nisso exalta
Um outro regime,
Pr’a qu’este se fine
Enquanto ele salta!

Mas nessa mudança
Que pode ocorrer,
Ele vai a correr
Buscar mais faiança!

E está sempre salvo
No seu conformismo,
Porqu’o seu idealismo
Não é o do papalvo!

Pois em tais divisas
Só troca a favor,
E conhece um penhor
De contas precisas!

E sempr’a ganhar
Concorre c’o povo,
Comprando o novo…
Qu’ele pode pagar!

E é pois feliz,
No sua “política”
Que nele é pacífica
Apenas num triz…

Se foss’ao contrário
Vinha par’as ruas,
Fazendo das suas…
Por “libertário”!

E aí condenava
Tod’os políticos,
Em slogans críticos
P’la calada…

O quer pr’a si próprio
É o mundo, afinal!
E não há nada de mal
Viver com propósito!

E entrar no mercado
E olhar pr’as pessoas,
E vê-las, tão boas,
Só c’o dinheiro trocado…

E ele a comprar,
Já tud’a granel,
Que cheio de papel
Lá se pode mostrar!

E nesse momento
Ser um vencedor,
Num plano maior…
Por ser el’o centro!

Pois tem liberdade
D’entrar e sair,
E no que lhe convir…
Prosperidade!

Mas não ter vergonha
De nisto se mostrar,
E mesmo fotografar
A sua própria fronha!?

E clamar direitos
Em redes sociais,
E garantias plurais
Pr’a países feitos!?

Como s’a virtude
Fosse a qu’ele exibe,
No qu’então transgride
Nessa mesma urbe!?

E na reincidência
Desse mesmo acto,
Exibir um fato
D’homem d’inteligência!?

É o “demosátrapa”
Desta velha terra,
Que por além prospera
Nessa triste prática…

Joker

maduro-papel-higiênico-2

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Posted on 24 de Março de 2016, in Palhaçadas. Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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