“Poetisar”

Vê-me timidez
Por heterónimo usar,
E nisso “poetisar”
Em bom Português!

E qu’iss’o retrai
Nos agradecimentos,
E só dos emolumentos,
Não se descai!

Que indo fazê-los
“Muitas vezes”!?
Em tantos meses
D’atropelos

Não viu dinheiro
Pag’a dobrar?
Nem lhe calhar
Um “voo” primeiro?

Foi tudo grátis
Que lá os fez,
Qu’ele é freguês
“Mutantis, Mutatis”!

E ao “voar”
Não pediu nada…
Que nessa alvorada
Lhe deu pra “salvar”!

E abdicou
De tudo à frente,
E foi indiferente
Ao que se dobrou!

Ao “voar” em folga
Os seus quem os fez?
Foi outro freguês
Duplicar a galga?

Um vicioso ciclo
Feito de honestidade,
E pr’a contabilidade,
O valor por duplo!

E na boa gestão
Feita de voluntários,
Tantos eram necessários
À boa “aviação”!

Que nem têm conta
Os valores por bruto,
Que desse usufruto
Outros deram montra!

Pr’a se perceber
Esta “indignação”,
Qu’um peixe-balão
Tem ao receber!

Pois que tudo fez
Por altruísmo,
E em tal voluntarismo,
Vieram mais dez…

E ainda s’admiram
Desta poesia,
Não ver alegria
No que nos retiram…

Eles valorosos
Até fazem gáudio,
Que nesse seu laudo
Se mostrem gulosos!

E vivemos disto
Até mais se ver,
E venha quem vier
Que vej’o registo!

E se descortine
S’isto foi normal,
Ter tod’o grupal
A voar “pos limine”!

Apenas nas horas,
Qu’em labor,
Tod’o “aviador”
Só via melhoras!

E assim vivia
Tod’o peixe-balão!
E só por dedicação
Ele então lá ia…

E nesta homenagem
Qu’aqui lhes dedico,
Um poema é somítico
Pr’a tanta viagem!

Eles por musas
Mereciam um “Lusíadas”,
Ou outras “Ilíadas”
Nas fuças!

E viesse Homero
Ou o príncipe Camões,
Dar-lh’as felicitações
Por tamanho esmero!

E ostentassem versos
De valor literário,
Na forma d’erário,
Nos textos!

Pois qu’a poesia
Não é mensurável,
E se não duplicável,
Quem a leria?

Há pois que taxar
Cada novo verso,
Pr’a lhes dar pretexto
Pr’a “poetisar”…

E feitos argonautas
Partirem de novo,
Pr’a salvar o povo
Das “faltas”!

E nisso encontrar
O velo de ouro!!
Como bom agouro
Por se navegar!

Estes novos gregos
Desta Odisseia,
Fazem-nos a teia
Nos empregos!

E sempre’a laborar
Ditam-nos a Eneida,
Qu’é verso-tragédia
Pr’a se justificar!

E em tais aventuras
Vêem-s’as sereias,
E mesmo as Medeias
Das alturas!

Só falt’o gigante
Que só tem um olho,
E depois, zarolho,
Também segue adiante!

E se nesta ode
Não sobra um anão,
Este faz do leão
Que nunca morde!

E lá muito ruge
Porqu’é anão,
E quer ‘atenção
Que urge!

Todo um arsenal
Destes semi-deuses,
Qu’hoje por “burgueses”
Não veem nada de mal…

E mesmo interpelados
Em múltiplas estrofes,
Só levantam as vozes
C’os apaniguados!

E desafiados
Ao contraditório,
Não há laudatório,
Por desafinados!

E já lá não vão
Dizer qu’os fizeram,
Ou negar qu’os eram
Na proposição!

Não, não são vampiros,
Nem peixes-balão,
E têm razão…
Por comprometidos!

E s’a poesia
Tudo não resolve,
Na prova dos nove
Chegará o dia!

É pois só esperar
Por esse sinal,
E nada ficará igual
“Só” por se “poetisar”!

Joker

--)

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Posted on 23 de Março de 2016, in Palhaçadas. Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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