Pedido d’acesso

Vei’o peixe-balão
Agradecer-m’o poema,
Porqu’a alma lh’é pequena, ´
De glutão!

De sensibilidade poética
Na pequenez do seu estilo,
É um bacilo,
Em tal métrica!

E se não tenho lente
Que lhe vislumbr’o apetite,
É porque na sua estirpe,
Lhe falt’o dente!

E s’abocanha
Tud’o quanto cheira,
É por brincadeira
Que s’o sabe piranha!

É um predador,
Mas não sabe porquê!?
E em tudo quanto vê
Tem-se Adamastor!!

E troa a razão
Na imponência do porte,
Porque ele de sorte
Não me tem à mão!

Porque s’o tivesse
Vinha-me agraciar,
No seu gorgolejar
De “finesse”…

E por “pseudónimo”,
Ele não me conhece!?
E s’ele me visse
Neste meu homónimo

Vinha-me falar
Lá muito erecto!
E de peito aberto
Voltav’a nadar…

E se m’agradece
A modesta prosa,
De forma pomposa…
Isto não merece!

Há inexactidão
Nesta liberdade!
E valha-lhos a verdade
Em tal “rectidão”!

E s’a minha ode
Escrita em sua honra,
Muit’o desonra
Naquilo que se descobre

Peço-lhe perdão
Não pelo poema,
Mas porque este tema
Não tem explicação!?

E se não dá prémio
A minha literatura,
Sabe que perdura
O tema no Grémio…

E vai perdurar
Em muita memória,
Porqu’esta história
Tem muito que contar!

E s’o anão
Não me tem poeta,
Ele que “d’esteta”
Tem nisso profissão

Saiba que, contudo,
Eu lhe tenho pena,
Porqu’em qualquer cena,
É o carrancudo!

O próprio rezingão
Da Branca de Neve,
Qu’o anão também escreve
De lápis-azul na mão!

E nisso por censor
Lá só falam anões,
E peixes-balões
Do maior pudor!

Qu’este heterónimo
Já lá quis escrever,
Mas tem que “crescer”
Como tod’o anónimo!

Qu’escrevendo missivas
Sabem-no vampiro,
E lá tem o seu crivo
Em denúncias altivas…

E lá falando sós
Em fórum secreto,
Estão sempre mais perto
D’uma única voz!

E nessa “razão”
Têm muita coragem!
Escrevem como agem:
Em ostentação!

Mas se lá entrasse
Este bom vilão,
Que peixe-balão
Não fingiria afogar-se?

Ou mesmo um vampiro
Nesse bate-a-asa,
Qu’a coragem é rasa
Quanto toc’o “tiro”!

E num bate-boca
Com qualquer anão,
Lá me foge a mão
Se me dá a louca!?

Por isso lá vedam
Essa minha entrada,
E falam de “nada”,
Porque nisso medram!

E muito crescidos
Falam uns pr’os outros,
Qu’eles são “poucos”…
E nada erguidos!

E só ganham forma
Como qu’abobada,
E só de calada
Fazem disso norma!

E como lá entrar
Sem o seu aval?
E dizer a esse plural
Que nem dão pr’a começar?!

Deixem pois entrar
Esta viva voz,
Qu’eu “respeito-vos”
No que puder falar!

E aí se verá
Quem é que é “poeta”,
E s’a prova, aberta,
Não vos libertará!

Qu’essa verdade
Tão negada,
Acham que dá entrada
Se vista à claridade?

Pois, está bem!
Eu espero sentado…
E s’uma vez lá entrado
Se verá mais alguém…

Joker

lapis-azul-sic-1

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Posted on 20 de Março de 2016, in Palhaçadas. Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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