“Peixe-Balão”

Sei dum peixe-balão
Que faz uso de barba,
E que na sua albarda
É quase um tubarão!

E por devorador,
Leva tudo à frente,
Qu’ele também é gente,
Do melhor!

E ainda que herbívoro
Também gosta do naco,
E esse é o seu fraco,
“Nocivo”!

Qu’os faz muitas vezes
Diz-nos bem inchado,
Qu’um peixe é ensinado
A furar as redes…

E nessas armadilhas
Do Rei-pescador,
Este predador
Faz imensas milhas

Só pra tornear
O qu’ali se pesca,
Qu’ele não é besta
A pescar!

Só pesca graúda
Dessa do “mar alto”,
Qu’ele gosta do naco
De Beluga!

É nessa migração,
Qu’ele sob’os rios,
E caça nos atavios,
Salmão!

Tudo tenro pescado
Comido por cru,
Pois gosta de atum
Fatiado…

O peixe-balão
É pois corpulento,
E precisa d’alimento
D’arrastão!

O que cai na rede
Já não lhe sobeja,
E só por isso almeja
Ter nisso sede!

Um peixe-balão
Tem que ser voraz,
Mas só nada detrás
Doutro tubarão…

E no seu percurso
Come-lh’os restos,
Em movimentos lestos
De peixe guloso…

E já regalado
Nisto já se incha!
E o peixe já pincha
Nesse mar Salgado…

Nessa vastidão
O mar é um banquete,
E este peixe é gente
De degustação…

Gosta de picar
Tod’a iguaria,
E que mal se via
Por lá arrotar?

Postas de pescada
Lá no santo fórum,
Qu’ele lá tem quórum
Nessa “peixeirada”!

E por isso grita
Como um moralista,
Qu’o anão regista
Quem ali não entra!

E ao falar sozinho,
Fala como quer,
E venha quem vier,
Qu’o Fé-povinho

Faz-nos um manguito
Só por ter “razão”!
Pois da “aviação”
Ele é um perito!

Mas s’a camisa
Lhe revel’o peso,
Ele não é obeso
Só porque desliza!

E nisto de tão leve
Também faz ballet,
E pé ante pé
Baila como escreve!

Um peso-pluma
No arrazoado,
E se fosse condecorado
À porta da Duma?

Ele qu’em Moscovo
Também lá se quer,
Mas quantos os houver,
Só os faz por estorvo!

Luta p’los direitos
Dessa sua classe,
Mas no qu’isso mace
Já lhe põe defeitos!

Por isso s’apronta
Pr’a tod’o serviço,
Qu’ele é preciso
Pr’a pagar a conta!

E se lá recebe
Nisso a dobrar,
É pra se condecorar
P’lo que bem escreve!

E estando sujeitos
A estas virtudes,
Todos somos rudes
Perto de tais feitos!

Haja uma medalha
Pr’a este “peixe-balão”!
Uma condecoração
Pr’a gente que não falha!

Que sem tirar proveito,
Tudo dá de si!
Não, nunca me ri
Deste tal sujeito…

Sabujo sedento,
Que não tem coluna,
Ele que na “comuna”
Já servia ao “centro”…

Por desassombrado
Fala qu’os faz!
E que é capaz
De ir a qualquer lado!

É triste espectáculo
O que lá se lê,
Mas nisto quem o vê
Sempr’o soube “bácoro”!

Quem se surpreende
Por tal “confissão”?
E se há muito milhão
Que nesta gente s’esconde

Sabe-s’o proveito
Em tal relação:
Um peixe-balão,
É por si só, conceito…

Joker

peixe balão

Posted on 16 de Março de 2016, in Palhaçadas and tagged . Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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