Rapace

Mudam-se os tempos,
Mudam-se as vontades,
Descobrem-se as verdades
Em tantos exemplos…

Qu’é quase inacreditável
Pela reincidência,
Ver nisto coincidência
Em si por tolerável…

De rotas a granel,
E horas extraordinárias!
E as mesmas, necessárias,
No jugo do fiel…

Tod’um clientelismo,
Pago como franquia!
E quem nisto aderia,
Cobrava-o por riquismo!

Uma habituação
De anos sobre anos,
E aos outros, os enganos,
Por equiparação!

Viesse planeado,
Ou d’intervenção após,
Faziam-no sem dós,
No interesse arranjado…

Uns poucos no sistema,
Comiam-nos a carne,
E aos outros tod’a fome
Na pança pequena…

Escolhiam esse dia,
O voo e o destino,
No arranjo cristalino
Que tod’a gente sabia…

Sobrava impunidade
No gáudio do discurso,
E se se tinha em abuso
No exercício da equidade

Nada se podia fazer
Porque de cim’o exemplo,
Havia muito tempo
Qu’o andava a esconder…

É gente qu’é precisa
No exercício de gestão!
De pronto, dá excepção,
A quem o organiza!

E se no ganho imediato,
Prejudica terceiros,
São eles os primeiros
A reiterarem o pacto!

São essa lista VIP,
Prevista no Manual,
E no proveito igual,
O ganho é da estirpe!

Estão “OK pra voar”,
Prevê lá essa regra!
E a quem não s’entrega,
Só pode jejuar…

A contra ou a favor,
Só há nisto dois lados!
E nesses voos “trocados”,
O visto do “senhor”!

E nessas datas festivas,
O fim de ano no Rio,
Seis vezes é fastio,
Pr’a lá gritar mais vivas!?

Há nisto coincidência
De férias no Natal,
De folgas é igual?
Ou é só inocência?

E os voos para Luanda
Talhados a granel?
Esculpidos no cinzel
Na talha de quem manda!?

E ainda se questiona
Que tod’a esta diferença,
Não desse mais sentença
A quem isto visiona?

Queriam-se eternos
A escravizar à medida,
Fazendo pela vida,
No gozo dos infernos?

Pode ser qu’isto mude
E a causa se perceba,
Donde vem tanta certeza
No voo que já lhe coube!?

E aí possa haver
Um pingo de justiça!
E se saiba, por omissa,
A escala do poder!

E ali colocadas,
As provas sobr’a mesa,
Se saiba, com certeza,
As regras “manualizadas”…

E nessa coincidência
De nomes e de horas,
De voos e outras estórias,
Se faça a “ingerência”

E se veja no serviço
Os “bons e velhos hábitos”,
E os métodos que práticos,
Não deram mais que isto!?

A corja de vendidos
Qu’encanta no seu estilo,
E o convite a segui-lo
Pr’a sermos bem sucedidos!

E era aproveitar
Até pois onde desse,
Que nisto só enriquece
Quem “está nisto por estar”…

E agora que desenlace
Podemos pois esperar?
Alguém que vá pagar
Por tão largo rapace?

Joker

bico

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Posted on 22 de Janeiro de 2016, in Acordos, Administração, AE, Aviação, Coelhos, Corrupção, Negociações, Normativos, Palhaçadas, Poesia, Política, Privatização, Redes Sociais, TAP and tagged , , , , , , , , , , , , , , , , , . Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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