Negociata

A compra e venda
É um negócio,
Nesse propósito
Maior qu’a renda

Dum objecto
Ou dum valor,
Há comprador
Num trato honesto…

Pois qu’a vontade
Se determina,
Como quem firma
Com seriedade!

E sem reservas
Na compra e venda,
vale a encomenda
Por essas verbas!

Tod’o negócio
É transparente,
Pr’a tod’a gente
Tida por sócio…

E se desse bem
Ido na venda,
Há quem não entenda
O favor a alguém?

Pois se se vende
A um só privado,
Um bem primado
Que não s’entende?

E se nessa venda
Há uma promessa,
Duma remessa
Que nunca entra?

E pr’a se saldar
Esse valor,
Vende-se o hangar
E tod’o lugar?

É este negócio
Posto na mesa?
E só há certeza
Pr’a um só sócio?

Qu’a garantia
Nas mãos do Estado,
É o resultado
Que se desejaria?

Deixar o ónus
Dessa recompra,
Como uma afronta
A fazer de bónus?

E o orçamento,
Aí servir,
Já pr’a acudir
Ao seu cumprimento?

E os portugueses
Por satisfeitos,
Que nos seus direitos
Já são fregueses!

E terem que pagar
Agora a empresa,
Porque de certeza…
Está por liquidar!

E ao privado,
A obrigação?
Dinheiro na mão,
Já deste lado?

Só a promessa
Nessa compra e venda,
Qu’a encomenda
Não se faz à pressa!

E dos aviões
Se farão seguro…
E só nesse futuro
Chegarão os milhões!

Foi a tesouraria
Qu’assim o exigiu,
E o governo agiu
Como se previa…

Por necessidade,
Rezam os jornais…
Qu’eles são iguais
Na sua liberdade!

Qu’o dinheiro gere
As obrigações!
E há negociações
Quando ninguém quer?

E vender à pressa
Num governo a prazo,
É um negócio baço
Que nisso se cessa?

Ainda há vontade
De se saber os termos,
Que destes governos
Se vendeu a verdade?

Ou foi a negociata
Pr’a fechar o ciclo?
E o governo aflito
Por já ir pr’a casa?

C’os bolsos cheios
Dessas comissões,
Que das negociações
Não ficaram meios!?

Deixando a outrem
O ónus da empresa,
Por sua esperteza,
vendendo a “ninguém”!

A um tal consórcio
Dito Europeu…
E pr’a quem deu
Isto por negócio?

Não há doação
Na entrega do bem,
Sem que esse alguém
Dê compensação?

Justa, equilibrada!
No valor do bem,
E a negociata aquém,
Ser denunciada?

E ver ser anulada
Por vício de vontade,
A venda da “herdade”
Sem esta registada?

Pois qu’a aviação
Er’o seu objecto,
E quem comprou a metro,
Queria nisto expansão?

Ou só amortizar
Por vendas a retalho,
A força do trabalho
Qu’o possa pagar?

Mudámos d’objecto
No pacto social?
Vende-se Portugal
Por negócio incerto?

Joker

TAP

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Posted on 25 de Novembro de 2015, in Acordos, Administração, AE, Anúncios, Assembleia da República, Aviação, CDS, Comunicação Social, Governo, Legislativas, Ministro, Negociações, Palhaçadas, Passos Coelho, Poesia, Política, Portugal, PP, PR, Presidente, Privatização, Propaganda, PS, PSD, TAP, União Europeia, Venda and tagged , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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