A cigarra e a formiga

Tem-se a cigarra em cantigas
A “folgar” tod’o verão
Cantando a mesma canção
Em tantas voltas e sigas…

Que deix’a formig’a pensar
Se val’a pena o labor
De trabalhar no ardor
C’o compromisso quer dar?!

E nisto volt’a cigarra
A cantar a mesma rima
C’a música já s’afina
E ela volt’a cantar:

“Quem quer a vida boa
Tem que saber cantar
As trovas do ir e voltar
Do Bogotá a Lisboa!”

E nisto volt’a formiga
No extremo da sua entrega
A indagar se a regra
Está mesmo naquela cantiga!?

Porque à vista do jogo
A regra é da equidade
Mas só lá vai à cidade
Quem canta com mais engodo?

A sorte dá muito trabalho
Cant’a cigarra à formiga:
“Souberas cantar a cantiga!
Que tod’o ano eu não falho!!”

E ao contrário da fábula
É a formiga qu’à mingua
Ensaia a música “pimba”
Pr’a ver s’o ócio a salva!

Mas d’ouvidos moucos
O autor da nossa estória
Não prez’a virtude ou glória
Nem a cantiga dos roucos…

E não interessa ensaiar
Sem ter o verso sabido
E a música estar no ouvido
Pr’a não ter como s’enganar!

E aí, depois d’orquestrada
A música faz a cigarra!
A vida é com’a guitarra
Só trina se bem afinada!!

É só tocar viola...

É só tocar viola…

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Posted on 8 de Julho de 2015, in AE and tagged , , , , , . Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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