A despedida

Essa carta tão simbólica
Endereçada a todos nós
Li-a em lágrimas, em dós
Como um romance ou crónica
 
Fora ditada pelo artista
Esse ser sem pêlo e penugem
Dessas criaturas que surgem
Sempre qu’há oportunidade à vista!
 
E dizendo-se preparado
Pr’a renovados projectos,
Lembro-me logo desses tectos
Qu’ele arranjou, desinteressado…
 
Estava sempre pront’ajudar
O arquitecto de interiores
Nos tectos ou nos corredores
Pronto, pr’a se salvaguardar
 
E logo entrado no mandato
Logo propôs ao sindicato
Novo arranjo, barato….
Qual Delegante cordato!
 
E não obtid’a autorização
Ainda assim fez o serviço
Doutro tipo, bem roliço
De qu’ele é rosto de mão!
 
Uma criatura tão baixa
Rala, lisa e abjecta
De tal lisura em careca
Só projecta o qu’encaixa!
 
Pois a pedido seguiu
A depôr com’um cordeiro
Nesse processo porreiro
Testemunhando o que não viu!
 
E ainda s’apresta
A reflectir-me a cabeça
Sempre que passa, a besta…
Qu’um dia ainda tropeça!
 
Estamos pejados de gente
Desta, animais sem espinha
Que anunciando s’avizinha
Em novo projecto urgente!
 
E muito chorei na novela
Que lá escreveu bem sentido
De tantos anos, que querido!
Ao serviço da clientela!
 
Que vás e que não voltes
Olh’ó conselho, não estiques
Essa mão, não a repliques, e
Sempre que passes nem olhes!
 
O artista!
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Posted on 11 de Novembro de 2013, in Anúncios, Poesia and tagged , , , , , , , , . Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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