As desventuras do gato Félix

Voltou o gato Félix, vir miar pra minha porta
Mas desta vez ao vadio, vou largar-lhe os cães
Vai descobrir novo zénite, vai rebentar a comporta
Quando der fogo ao pavio, e correr até Cinfães!

E nem o anão malabarista, nem o gnomo palhaço
Com o imbecil do político, e o seu séquito circense
Vão permitir qu’o ensaísta, no seu grande estardalhaço
Faça novo número de circo, na frente de toda a gente!

Vai miar novos fados, novas cantigas de maldizer
Fingindo-se um gato sério, negará o seu escarcéu
Aprumar-se-à noutros fatos, fingirá outro querer
Mas vencerá o prémio, do gato que ficou sem véu!

Vai-lhe cair a ficha, quando for desmascarado
Essa aura de conquista, dum ser destrambelhado
Um especialista na rixa, no amor desgovernado
Um gato pro arrivista, num cargo muito arriscado

Só conseguido a cunhas, a vários pedidos pungentes
Pela família dos gatões, que miavam com poder
Tinham a força das unhas, e uma fileira de dentes
Outorgam galões, aos gatos que nada queriam saber

E a família reinava, mesmo debaixo do ínvio
A ninhada prosperava, caustica de razões
Um dia, numa alvorada, acordaram do idílio
Foi-se a gata malhada, ficou o Félix das paixões

E não contente com a vida, com o destino de sorte
Não realizado com o mundo, com as suas imprecisões
Voltou o Félix, em surtida, miando de novo, o torpe
Está-lhe prometido o fundo, nas suas próprias canções!

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Posted on 8 de Abril de 2013, in Palhaçadas and tagged . Bookmark the permalink. 1 Comentário.

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