Esquizofrenia

Se eu pudesse pensar tudo quanto escrevo, como um acto de dar, como um trago que bebo
Se eu pudesse dizer, o que sinto por dentro, uma revolta de ser, furacão sem epicentro
Se eu pudesse acusar, essas almas ínvias, nessa falha d’amar, em suas próprias mentiras
 
Pudesse eu revelar o que li no momento, a maldade n’olhar, crueza sem alento, nessa forma d’estar
Nessa forma de pertencer, sem a nada pertencer que não seja o rosto da ambição p’la sede do poder
Pudesse eu informar, todos esclarecer, como pode o sorriso engendrar, atacar, atraiçoar, pútrido…
 
Nos rostos do dia-a-dia, que t’envolvem de amizades, de promessas, sem pressas, que não visem a via
Dos seus projectos, sem rostos, sem valores, sem respeito, sem carácter, em prol de seus proveitos
Tudo caucionando, hipotecando, numa invenção montada, em mentiras forjadas, num sentimento nefando
 
E a coberto d’aparências, se arrastam multidões, instituições, para o abjecto sucesso, sem soluções
Visando tão só a ânsia do querer, do ter, do parecer sem conhecer, porque não têm tempo d’aprender
Nascendo ensinados no seu desdém, em ambicionados projectos montados e, ilustrados na casa-mãe
 
Por isso agem no mundo como se foram donos, duma verdade absoluta, por tão corrupta em seus abonos
E mentem, mentem de sobra, escudam-se na pretensa obra, com que atormentam quem não lhes convém
E inventam frases, novas verdades, ágeis doutrinas, velhas sentenças, de suas crenças, seus alardes
 
Tomam-se puros, falam com anjos, em seus arranjos formam varinas, lindas meninas, bailarinas de paus duros
Apessoadas num encantamento, num arrebatamento, naquele momento em que do céu desce o…jumento
Vindo salvar a humanidade, da sua burrice, por intrujice, na solicitude dum arcanjo, seu sustento
 
E tudo podem, nesta esquizofrenia, nesta volúpia doentia, nessa néscia carestia, invocando o além
Impolutos, incorruptos, nascituros de uma era de soturnos golpes d’ascensão, jurando, conjuros
Assaltantes do seu séquito, do descrédito, desse demérito, caucionando vários futuros, triunfantes…
 
Destituídos, desempossados, desacreditados, enxovalhados, tomam por certo a boa nova, destes excluídos
Que lhes entregaram o seu destino, valor prístino, que num desatino tomaram por certo, o seu término
Assassinando o seu legado, o protectorado, que uma dada classe, um dia errou, e ali soube por condenado
 
Esquizofrénicos, vingativos, covardes, mentecaptos, mentirosos, ignorantes, arrogantes, artefactos cénicos
Nas mãos duma impostora, tida por senhora, que mais não fez, nos seus porquês, a nossa maior penhora
Proficiente da vontade alheia, do seu mentor, um agressor, o bronco Adamastror da nossa epopeia…
 
Se eu pudesse escrever ainda mais do que escrevo, para mostrar, descrever, o grotesco, o desassossego
Se eu pudesse viver e sem relutância, morrer, na vingança, indiferente à minha alma e ao meu Ser
Mostraria a nudez da ignomínia, numa dança, de falsa esperança, num rosto soez d’idiossincrasia
 
Se eu pudesse pensar e, os desejos largar, mostraria a leveza do mal, no seu rosto capital
Como prova solene, dessa existência infame, que no rosto dum Homem, se retrai com’um verme
Aninhando-se covarde, á coragem de ser-se, d’assumir-se, comando naquele barco que arde
 
Se eu pudesse gritar, a vergonha, a peçonha, essa triste lisonja que leva ao desespero
Mostraria os processos, desta forma, em versos, aligeirando o texto, comutando a norma
E por certo veriam, de que massa são feitos, os então eleitos, quando outrora…sorriam!

Mi-esquizofrenia

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Posted on 11 de Janeiro de 2013, in Palhaçadas, Poesia and tagged , . Bookmark the permalink. 1 Comentário.

  1. Mais um belo poema que relata uma história revoltante!

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