O choradinho

Em choradeira gritante, Calimero a Napoleão escreveu:
 Imperador da Europa, estou tão agastado, V. Senhoria!
 Vivo um momento ultrajante, o céu parece que enegreceu
 Dizem que faço batota, e que pratico uma vil bruxaria!
Ó meu bom Calimerozinho, deixa-os falar em catadupa!
 Um inimigo não se interrompe, se faz erros d'arromba!
 Olha-me bem este corpinho, um anão que não deslustra!
 Que só se colocou a monte, quando lhe foram à tromba!
O pobre Calimero, qu'intrigado ficou, novo choro aspergiu
 Mas ó meu Imperador, como lidar com as soezes mentiras?
 Como contestar em comunicado, as difamações que se viu?
 Olhe-me só este torpor, não aguento mais, estas vidas!
Então se me destratam o careca, e duvidam do cozinhado?
 Como passar aquela "imagem" que investimos com cuidado?
 E "desmistificar" aquela "treta", em cuidado demonstrado
 Da nossa irremediável colagem, a um percurso arruinado?!
E o nosso cozinheiro, que nos seus cozinhados, cuspiram?
 Se o homem nem cozinhava, se investia tudo em cocotes?
 É tudo um imenso atoleiro, nem a ementa entreviram!?
 Ele que tanto se esforçara, dando vida aos Entrecôtes!
Acha simplesmente aceitável, que neguem a nouvelle cuisine?
 Pensa que sem "souplesse", nos granjeiam qualquer dignidade?
 Só com esta pinta respeitável, o sindicante será transalpine!
 Sem qualquer outra benesse, que não seja a nossa grã-edilidade!
E Napoleão não evitou o riso, sabia o destino das francesices!
 Qu'ele já sentira na pele, depois de tentar o seu Império!
 Não se conquista em improviso, nem se ganha com a sovinice
 Nem se converte um rebelde, sem a razão d'um real Magistério!
E Napoleão sabendo que atraiçoara a sua República
 De revolucionário se auto-proclamara Imperador
 Riu-se, uma vez mais, daquela triste súplica
 Que em si mesmo invocara, um General vencedor!
Os seus identificam-se em exemplos bem transcritos
 Em chavões-feitos que em outras alturas refutaram
 Invocando em monumentos, seres há muito proscritos
 Alegando seus direitos, como se cânones se trataram!
Dos fracos não reza a história, nem dos seus reais traidores
 Não se invoca a título de exemplo, quem invadiu a lusa Pátria
 Como se se renegasse a vitória, dos nossos heróis libertadores
 Proclamando um sentimento de força, numa negra identidade pária!
Até nisso estamos esclarecidos, nas palavras do Calimero
 Chora em impugnação, porque o confrontam em suas lábias
 Deixa-nos, contudo, entretidos, na sua rábula do melro
 Que deixou cair no chão, o queijo, p'la sua bela prosápia!
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Posted on 17 de Outubro de 2012, in Palhaçadas and tagged , , , , , , . Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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