Às “arrecuas”

E o General lá recuou, montando no seu jumento
A batalha nem começou, apesar do seu atrevimento.
Queria lançar-se ao ataque, em enorme gritaria
Como tinha lido no almanaque, da 7ª cavalaria!

Mas o jumento afrouxou, sob o peso da largada
Ainda a ensaiar, trotou, dentadura arregaçada
Heia, Jumentinha da breca! A galopar qu'é bom!
Ao Ataqueeee, sua pileca! Q'Eu não sou um garçon!

Sou um General de peso, dou ordens aos flibusteiros
Mexam-se sozinhos, obesos, não façam mais prisioneiros!
Se preciso saltem as muralhas, dêem os peitos às balas!
Qu'eu não renego as batalhas, estou aqui pr'as alcavalas! 

Mas a jumentinha ajoelhou, deitando-se na beira d'estrada
Há quem diga que se urinou, quando se anteviu cilindrada
E, de imediato largou, o gordo em nova rebolada
Que ultrajado, citou, o M. Torga na sua charada:

"Temos nas nossas mãos o terrível poder de recuar"
O bom do poeta em vão, se mexeu no veio tumular.
Mas já o General soltara, o seu grito de vitória
Vencido que ficara, num comunicado sem história!

Sim, até temos razão, podíamos continuar a lutar
Pelos Estatutos da fusão, garantia do nosso estar!
É um estandarte real, um símbolo da nossa luta
Com um General oval, embebido na nossa cicuta!

Tal qual um Sancho Pança, atacando o invisível
O Paqui quedou-se no trote, numa aura invencível!
Na sua burrica de carga, numa grã pose solene
Os últimos dois da saga, enxertados de querosene!

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Posted on 23 de Agosto de 2012, in Palhaçadas and tagged , , , , , , . Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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