Bons banhos!

É sintomático e peremptório, a falta de sensibilidade política e jurídica de uma gente que, perante um acto de renúncia voluntária ao exercício de um cargo, que por sua vez levou, irremediavelmente, à queda de um órgão executivo, e perante a previsão explícita e patente, no clausulado dos seus Estatutos, se manterem, por inércia, desconhecimento ou simples incúria, num exercício de poderes de gestão corrente, quando aqueles determinam coisa inversa. É fácil de verificar a falta de jeito, a falta de vontade, e mesmo o total desconhecimento destas realidades, de gente, que exercendo funções de responsabilidade, agem, como se estivessem de empreitada de obras, no seu quintal. Mesmo, quando solta à evidência, que responsáveis pela elaboração de propostas estatutárias, perante a previsão expressa, das soluções de consagração legal, fazem de conta que a estatuição, não se aplica ao caso em apreço!

Os Estatutos são esclarecedores e nada omissos! Em caso de demissão, a regra é aplicar-se, não por analogia em função da omissão da previsão, mas por simples remissão, a regra da destituição! É evidente! Basta ler! Nem é preciso grande interpretação! Aplique-se os nºs 2, 3, 4 e 5 do artigo anterior!!! Francamente…

E perante isto, como vivemos? No vazio absoluto! Quem tem o controlo da situação, faz de conta que “no pasa nada”. Demitiram-se? Está bem…vamos marcar eleições, um destes dias. Ah, e quem se demitiu? Adivinhem!?…

E perante a previsão estatutária, para quando a urgente AG? (Silêncio ensurdecedor…)

E por lá andam os demitidos. Os usurpadores, que sem mandato, se instalam, diariamente, a expensas institucionais, nos paços sindicais. Uma completa aberração! Um vazio político e institucional completo!

Para quem julgava que tínhamos batido no fundo, desenganem-se! Agora, para além da usurpação de funções, temos também a nova teoria da continuidade das mesmas, mesmo fora do âmbito do poder executivo. A líder do movimento tem por tese, que pode dar continuidade a um mandato, sem o corpo direcção, o qual é só o condutor político de toda a instituição! Mais, os órgãos são eleitos numa lista, apesar de irem a concurso autonomamente. Quem apresenta o programa político, a qual todos, individual e colectivamente, dão seu aval e a sua assinatura de compromisso, é o Órgão Direcção! Neste contexto, fará algum sentido subsistir os remanescentes órgãos, alguns deles de controlo e fiscalização, sem o órgão executivo que dá materialização política a um programa de acção que fundamenta, em primeira e última análise, todo o processo eleitoral? Não! Absolutamente!

O que vivemos, com a vontade manifesta da mesa, em querer marcar eleições apenas para um órgão sindical, é de uma total ilegalidade, aberração estatutária, e inusitada vivência sindical. Que se julga esta gente? Para onde pensa que caminha? Mas julga que alguém, no seu sentido dever societário e associativo pode deixar passar isto em falso? Loucos! Se pensam que isto avançará nestes termos, desenganem-se! Mais, um boicote à marcação de eleições nestes termos, e um novo voto de protesto é urgente!

Mas esta gente não conhece os conceitos? O que lhes diz, politicamente, a frase solidariedade institucional? Nada? Então, são eleitos, ou antes, concorrem, conjuntamente, numa mesma lista política, numa prova de confiança mútua, e depois afirmam-se, quando convém, pela absoluta independência de órgãos, e enquanto garantes da própria instituição?! Esta gente enlouqueceu, de todo…

Sem Rei nem Roque. Ou antes, só com o Roque e a amiga! O Sindy é comandado de fora para dentro, porque por dentro, de há muito que a massa encefálica se esgotou. E não há sintomas de melhoras. Temos que acabar, definitivamente, com este estado de sítio, com este recolher obrigatório! É hora de sairmos à rua! Vivi em Espanha, no País Basco, há muitos anos atrás. Mesmo sem preconizar a via da violência, que refuto de todo, assisti a muitas manifestações da chamada kale borroka, numa localidade chamada Rentería, em Guipuzcoa, ou mesmo em Donosti ( San Sebastián), e a coisa, posso-vos dizer, é feia de ser ver. Juventudes autonomistas e independentistas, na rua, em guerrilha urbana contra a polícia que na naquela altura funcionava, no País Basco, fundamentalmente a Guardia Civil, como força para-militar, num aparato equivalente a um cenário de guera quase convencional. Isto tudo para dizer o quê? Que a mera comparação, é pura e dura, ficção! Não temos algum sentido do  reivindicativo, quando comparados com aquilo a que assisti, nas ruas de Guipuzcoa, por altura dos idos dos anos oitenta. Somos, porventura, demasiado brandos e resignados. Fatalistas, quiçá! Somos do fado, melancólico, triste, fatalista… E bem sei, que muito do que os bascos reclamam como Euskadi ou Pátria Basca, é uma invenção pré-moderna. Existe algum fundamento sócio-cultural, mas a línga basca, há quem diga, é quase uma invenção moderna, para dar sustentáculo político ao corpo político Euskadi. Lembro-me que nessa época, no país Basco, e na restante Espanha que bem conhecia, se vivia, já, muito melhor que em Portugal. Melhor nível de vida, económico e social. As pessoas mais alegres, com  mais dinheiro, num estilo de vida, virado para fora, para as plazas mayores, enquanto que nós, em Portugal continuávamos a viver em casulos, fechados, ou antes debruçados sobre nós próprios.

E nesse quadro pergunta-se, porquê tamanha violência? Diziam-me alguns amigos bascos à época: por convicção, por natureza, por los cojones! As respostas, e o intenso ódio que absorvia dos comentários desses meus interlocutores à data, levavam-me, ainda que incipientemente, à comparação com o nosso burgo. E Portugal? Ah, pátria de brandos costumes! Brandos? E o Conde Andeiro? E 1143? E 1385? E 1640?

Será que fomos granjeando ou perdendo qualidades enquanto povo, ao longo dos séculos? No que nos tornámos, afinal? Sabemos que um Ministro de Estado, se formou por equivalências, num único ano lectivo, quando milhares de reais licenciados engrossam fileiras e fileiras de novos e velhos licenciados, y no pasa nada!!! Umas bocas, umas notícias, uns quantos folclores, umas inscrições nas Sorbonnes da nossa pobreza, e no rescaldo, tudo na mesma, como a lesma!!!

Não sou um apologista de um qualquer Euskadi ta Askatasuna, ou seja Pátria Basca ou Morte, ou ainda a simples e temível sigla – ETA, mas confesso-vos que me custa aceitar o carneirismo militante que grassa no nosso país, e nas nossas instituições. Somos demasiado covardes, ou para dar a cara, ou para dizer TODA A VERDADE! Há sempre inconveniências à espreita, e não se sabe quando nos pode cair em cima, a nossa estúpida intrepidez! O calculismo é o nosso forte, e a acção no dealbar dos acontecimentos acontecidos, a nossa pedra de toque. Somos demasiado inconsequentes para agir, mesmo perante a injustiça mais atroz, ou a ilegalidade mais premente! No nosso caso concreto, nem com estas evidências, à lupa, aqui retratadas, conseguimos deixar  de fazer férias no verão!

Então, bons banhos!!!

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Posted on 21 de Agosto de 2012, in Palhaçadas and tagged , , , , . Bookmark the permalink. 1 Comentário.

  1. Muito bom! Uma excelente crítica social que parte do particulr para o geral! Os meus parabéns. Vou-te pedir licença para partilhar no meu Mural. Bj Cristina Vigon

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