Poema das Olimpíadas

Nas olimpíadas coelhantes, em que as medalhas são p(r)atas
Competem os nossos farsantes, nas suas provas empatas
Deixam-nos a todos medalhados, enfaixados na sua Glória
Ficamos amordaçados, vencidos como reza a história!
Competimos no varão, e nos saltos em queda d’anjo
Nas piscinas é um condão, com o catequista-marmanjo!
No lançamento do martelo, temos um campeão lat(r)ino
Pois monta tudo em pêlo, deixa as cadeiras num atino!
No lançamento do disco, escondemos um forte competidor
Usa da técnica do isco, projecta as actas ao açor!
Nos grandes saltos em altura, avançamos candidato de peso
Usando da sua envergadura, vence a medalha do obeso!
Temos novo recorde olímpico, no sindicante salto em varão
Conseguido com muito ímpeto, por uma atleta de eleição!
Usa da sua conquista, para ensinar a sua técnica
Fazendo uso de activista, ensina a apertar com cénica!
Na natação sincronizada, temos um songo-mimetista
Fez uma prova bem suada, em dupla com o catequista!
Fazem longas braçadas com souplesse, com um guião bem preciso
Basta manterem-se na benesse, que juntos encenam sem juízo!
Na prova rainha de estrada, que recapitula a velha Maratona
Corre, por fora, a abobada, a nossa jovem matrona!
Atrás das bolachas de chocolate, no encalço da sua meta
Para as recuperar é um embate, que isso vale toda a dieta!
Nos saltos em queda d’anjo, a apocalíptica é um ás
Consegue invocar um arcanjo,  de seu nome Barrabás!
Em terapia angelical, não há salto que lhe resista
Uma medalha no bornal, pelo encorpado grevista!
Nas provas de natação, temos um autêntico Phelps
A nadar só com uma mão, enquanto usa a outra no tel!
Não se perca a oportunidade, de se avançar pr’a Assembleia
Qu’isto da competitividade a sério, é só pr’ó levar à boleia!
E pejados de medalhas, assim volta a nossa comitiva
Apagando-se a acendalha, voltamos à velha inventiva
Tidos como os olímpicos heróis, da renovada petição
Lançam-nos velhos anzóis, continuando a competição!

Nem com o fim das olimpíadas, nos vemos livres da cambada
Pretendem continuar nas corridas, para prover à sua estada
Gostam de estar na aldeia, dando corpo ao seu delito
Matilha sem alcateia, uns deuses-láparos no Olimpo!

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Posted on 5 de Agosto de 2012, in Palhaçadas and tagged , , , , . Bookmark the permalink. 2 comentários.

  1. Belo Poema!!!!

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  2. Já fomos, Cristina…É o que eu acho! Só ganhamos as medalhas da vergonha!

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