“Beautifull” Lie

Se examinarmos todas as etapas das nossas vidas, descobrimos que do nosso primeiro ao último fôlego, estamos constrangidos pelas circunstâncias. Porém, continuamos a possuir a maior das liberdades, o poder de desenvolvermos o mais profundo do nosso ser em harmonia com a ordem moral do Universo, ganhando assim paz de espírito, independentemente dos obstáculos que encontramos.

É fácil dizer e escrever isto. Todavia, não deixa de ser sempre uma missão à qual nos devemos dedicar todos os dias. Todas as manhãs nos rogam: Faz o que tens a fazer e confia no que acontecer. – JOHAN WOLFGANG VON GOETHE

Hoje um amigo chorou-me, compulsivamente, as suas desgraças mundanas. Chorou que nem uma criança, mas chorou, de igual modo, como um homem! Como só um homem pode chorar perante as agruras da vida. Estava sozinho, como todo e qualquer bom homem, quando em confronto com os seus infortúnios quotidianos. Sozinho com a sua sensação de incapacidade, de  impotência no desenlace do acaso vivente.

Estava prostrado, capaz de desistir de muita coisa, inclusive dele próprio. Noutras alturas, noutras situações, este meu amigo estaria envolto por muita gente, ele que prima por agradar a todos. Uma qualidade ou um defeito nele, não sei, mas que o leva a ter momentos de tudo ou nada, nas suas relações de amizade. Não que que tome  a amizade como coisa vã, sem conteúdo material, mas neste meu amigo, as relações, muitas das vezes, querem-se formais, superficiais e imateriais. Basta-lhe isso, em nome de uma qualquer vantagem de popularidade expontânea, momentânea.  Por isso se vê confrontado, muitas vezes na sua vida, com situações de desrespeito, de desconsideração para com a sua boa alma. Tomam-no como estouvado, porque não têm a preocupação de o conhecer na sua essência elementar: é um homem bom, puro, amigo do seu amigo, e dedicado à sua família. Tem todos os predicados de um excelente homem, e de um bom amigo, mas a sua ânsia de agradar, a gregos e a troianos, leva-o  a ficar, mais vezes do que ele merece, na fronteira da indiferença e da desconsideração, de uns e outros.

Por isso estava sozinho, com ele e com as suas memórias, no dia em que o encontrei, tristonho, no reduto da sua sala, agarrado a um livro da sua África que tanto ama. É um homem culto, sensível, conhecedor. Preocupa-se com o mundo, com as pessoas que nele habitam , e gosta de animais, o que para mim revela um predicado especial. Quem não gosta de animais, não pode gostar de pessoas. Tão elementar quanto isto! O problema dele, é que é demasiado ansioso a mostrar tudo isso. Procura-o mostrar em catadupa, na ânsia de mostrar que é válido. As pessoas que o rodeiam, algumas delas, vêem nisso, apenas um projecto de afirmação. Condescendem, mas na hora da verdade, relevam esses momentos, e acusam, marcam, e destroem. Típico de quem, com uma franja de poder nas mãos, revela toda a sua propriedade moral. Se queres conhecer as pessoas, dá-lhes um pouco de poder!

E no poder dos outros se vê o meu amigo destruído. Moral, fisicamente, profissionalmente. Sozinho, ainda por cima. Os “amigos”, ou bateram à soleta, ou fazem-se de desentendidos. Só se conversa para se retirar satisfações, para se falar de soslaio, ou para se regozijarem no mal dos outros. E tudo se sabe, como se sabe. Não é por falta de informação que este meu amigo, não recebe manifestações de solidariedade e amizade. É por indiferença, mesmo! A indiferença granjeada por quem aponta e diz, como naquela música do Variações – “Lá vai o maluco, lá vai…”.

As pessoas vivem de capas, de estereótipos, de moldes fáceis, de meras cartilagens de vida. A sua ossatura moral é fraca. Só querem o que vem do ram-ram, dos produtos acabados da cultura vigente, ou as verdades que ressaltam das conversas de galley. O resto não lhes interessa. Procurar conhecer a essência, a verdade natural de cada ser humano, o seu coração? Não, isso dá muito trabalho! O melhor é seguir as orientações dos outros, e veicular a verdade do senso comum instalado. Lidar com as consequências dos outros? Nem pensar. As decisões são deles, mesmo com base em critérios subjectivos, quando na matéria objectiva a conformidade é total! É assim que se faz justiça, desvirtuando critérios? Apenas porque achamos? Porque temos um estereótipo instalado no chip do nosso facilitismo?  E o resto? E a vida das pessoas? E os critérios de igualdade? E longo historial da mediocridade?

Jamais poderia pertencer a um órgão que julga companheiros de vida e de trabalho. Jamais! Não só não teria qualificações e competências, mas porque de igual modo, não me sentiria habilitado a julgar um meu igual! Quem seria eu para julgar? Destruir vidas, apenas porque do meu processo avaliador, resultara uma qualquer impressão de uma inaptidão natural de uma qualquer pessoa, entretanto habilitada por uma instância maior? Mal de uma classe que se permite julgar, desta maneira, os seus!

Este meu amigo, para além de ser um profissional competente, é um homem bom. Conheço outros menos competentes e menos bons, na minha fraca presunção (mas é a minha, e não visa sanear ninguém), a quem foi permitido o que a ele lhe vedaram. A ele e a outros. Sem apelo nem agravo. Sem sequer ter hipóteses de demonstrar a sua habilitação, técnica e pessoal.

A vida, tal como nos diz Goethe, é feita de muitos constrangimentos. Sem esses obstáculos, a nossa vida não teria sentido. Só no processo de aprendizagem, em lidar com essas circunstâncias, nessa dor de crescimento, pode o ser humano evoluir. O que é uma vida sem o seu processo errático? Daqui resulta, tenho a certeza, uma real lição ( mais uma!), para esse meu amigo. Sê tu próprio, independentemente das circunstâncias! Sê fiel a ti mesmo, mesmo que isso não agrade às “maiorias”  deste mundo! Se assim agires, e confiares na lógica recôndita que rege o universo, o desenlace será cristalino. Por muita poeira que alguns queiram produzir a nosso respeito…

Abraço, meu caro amigo! A amizade, para mim, é um valor real e absoluto. Com amigos, dos verdadeiros, nunca estarás só!

http://youtu.be/gs6EZviQMUk

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Posted on 16 de Julho de 2012, in Palhaçadas and tagged , , , , . Bookmark the permalink. 2 comentários.

  1. Que belo texto! Lindo, humano e cheio de verdade! Bj Cristina Vigon

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